Flávio Bolsonaro diz a empresários que pediu a Trump contra tarifaço

Declaração do candidato da extrema direita foi em evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília

Flávio Bolsonaro diz a empresários que pediu a Trump contra tarifaço

Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 23/06/2026 às 19:27 | Atualizado em: 23/06/2026 às 19:36

O Brasil e o mundo sabem que foi a família Bolsonaro os autores dos pedidos de sanções dos Estados Unidos contra a economia nacional, que culminaram no tarifaço de Donald Trump de 50% – derrubado pela Suprema Corte dos EUA – e depois nova tarifa de 25%, anunciada a partir de 1º de junho deste ano.

Além disso, a movimentação em solo norte-americano dos Bolsonaro também incluiu o sistema pix na mira de punições do governo Trump.

No entanto, o senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), disse aos industriais brasileiros que nas recentes agendas nos Estados Unidos, foi ele quem intercedeu diretamente contra possíveis sanções comerciais ao Brasil.

Ele afirmou ter pedido pessoalmente a Trump e a outras lideranças americanas que não utilizassem um tarifaço contra as empresas brasileiras.

“Eu pedi aos Estados Unidos que não houvesse a tarifação, que as empresas brasileiras não aguentariam mais. Além disso, solicitei paciência aos americanos até 2027, quando o Brasil terá um presidente que negociará de igual para igual”, disse, referindo-se a ele como vencedor das eleições de outubro.

O presidenciável citou a relação atual entre EUA e Argentina como um exemplo de respeito que gera isenções tarifárias.

As afirmações ocorreram durante o evento “Construindo o Brasil 2050”, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), nesta segunda-feira (22 de junho), em Brasília.

O evento reuniu ainda os pré-candidatos Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD).

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Nova audiência nos EUA

Nesta terça-feira (23), um dia depois das declarações contraditórias na CNI, o senador informou que se inscreveu para participar de uma audiência pública promovida pelo Governo dos Estados Unidos para “defender o Brasil” da proposta de aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. O governo Lula não enviará representante.

A assessoria do filho de Bolsonaro divulgou um requerimento oficial de inscrição junto ao Escritório de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) para um depoimento oral em inglês e pessoalmente como testemunha, por cinco minutos.

Confronto sobre reforma tributária

Um dos momentos centrais do painel da indústria foi o questionamento feito a Flávio Bolsonaro pelo ex-presidente da CNI e ex-senador Armando Monteiro Neto.

Ao interpelar o pré-candidato, Monteiro Neto destacou que a reforma tributária foi fruto de um amplo processo legislativo que reuniu parlamentares de diversos partidos e que preservou eixos fundamentais, como o fim da cumulatividade e a desoneração de investimentos e exportações.

Em sua pergunta, o ex-senador confrontou a postura de Flávio Bolsonaro:

“Temos em manifestações públicas de vossa excelência registrada uma posição sua que nos parece certa contrariedade com a reforma, dando conta de que a sua disposição é até de suspendê-la. O senhor não acha que nós temos é que acelerar esse processo de mudança do sistema?”.

Oposição ao modelo

Em resposta, Flávio Bolsonaro confirmou sua oposição ao modelo atual. Argumentou que, embora seja favorável à simplificação, a reforma aprovada resultará no maior imposto de valor agregado (IVA) do mundo, próximo de 30%.

O senador defendeu a suspensão da regulamentação da reforma para dar lugar a uma reforma tributária negativa, com redução real da carga ao longo dos anos e foco na austeridade fiscal para permitir a queda dos juros.

Tesouraço motosserra

Aos industriais brasileiros, Flávio Bolsonaro prometeu um “tesouraço padrão motosserra” para revogar milhares de normas regulamentadoras, portarias e decretos que, segundo ele, apenas atrasam quem quer empreender.

Além disso, defendeu a privatização de estatais e criticou o déficit atual das empresas públicas.

Foto: Gilberto Sousa/CNI