Concessão do Amazonas abre nova fase de investimentos em Urucu
Estado libera áreas e destrava US$ 500 milhões da Petrobrás para abrir 22 novos poços em Urucu
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 18/06/2026 às 10:12 | Atualizado em: 18/06/2026 às 10:12
O Governo do Amazonas formalizou nesta quarta-feira (17 de junho) duas concessões de áreas estaduais que abrem caminho para um novo ciclo de investimentos da Petrobrás na província petrolífera de Urucu, em Coari, no médio Solimões.
A medida garante segurança jurídica para aportes estimados em US$ 500 milhões, viabiliza a retomada da perfuração de poços após mais de uma década e prevê a geração de mais de 3 mil empregos diretos e indiretos.
As duas concessões de direito real de uso (CDRU) assinadas pelo governador Roberto Cidade atendem tanto à continuidade das operações já existentes quanto à implantação de novos projetos de exploração de petróleo e gás natural na região.
O movimento representa um dos mais relevantes investimentos anunciados para o interior do Amazonas nos últimos anos e reforça a importância estratégica de Urucu, considerada uma das principais províncias petrolíferas terrestres do Brasil.
Segundo o governador, a medida cria as condições necessárias para ampliar a presença da estatal na região e impulsionar a economia dos municípios do entorno.
“Há dez anos não havia uma concessão e nós a concedemos. São mais de 500 milhões de dólares que vão ser investidos e mais de 3 mil empregos diretos e indiretos gerados. Nós hoje demos duas concessões de terras, uma para continuar a exploração do que já tem e outra para ter outros investimentos”, afirmou.
Retomada das perfurações
A Petrobrás informou que as novas concessões permitirão a execução de um plano de perfuração de 22 poços ao longo dos próximos três a quatro anos.
De acordo com o gerente de planejamento e gestão da companhia, Eliseu Robert Lage, o programa tem como objetivo manter a produção atual e ampliar a busca por novas reservas de petróleo e gás.
“A gente está falando aqui de 22 poços que vão ser perfurados nesse horizonte de três a quatro anos. Além da manutenção da nossa produção, também há a busca de novas reservas e novos negócios”.
A retomada das perfurações encerra um intervalo de aproximadamente dez anos sem novos projetos dessa natureza em Urucu, abrindo uma nova perspectiva para a atividade petrolífera no Amazonas.
Impacto regional
O governo estadual avalia que os investimentos terão reflexos diretos sobre a economia de municípios como Coari e Carauari, historicamente ligados à cadeia produtiva de petróleo e gás.
A secretária de Estado das Cidades e Territórios (Sect), Renata Pinto, disse que a regularização fundiária das áreas foi resultado de uma força-tarefa entre técnicos do estado e da Petrobrás.
Segundo ela, a continuidade das operações e a abertura de novas frentes de exploração representam um impulso para a geração de emprego e renda no interior amazonense.
Licenciamento ambiental
Com a formalização das concessões, os novos empreendimentos avançam para as etapas de licenciamento ambiental conduzidas pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).
O diretor-presidente do órgão, Gustavo Picanço, afirmou que o processo será acompanhado por mecanismos de monitoramento e controle ambiental para garantir a sustentabilidade das operações.
A expectativa é que a ampliação das atividades ocorra dentro dos parâmetros exigidos pelos órgãos reguladores, conciliando desenvolvimento econômico e preservação ambiental.
Segurança jurídica para investir
A concessão é um instrumento jurídico que permite a utilização de áreas públicas sem transferência da propriedade da terra.
Na prática, a modalidade oferece segurança jurídica para investimentos de longo prazo, reduz riscos de conflitos fundiários e facilita o cumprimento das exigências ambientais e regulatórias.
Para a Petrobrás, a regularização das áreas era considerada condição essencial para destravar novos aportes e expandir os projetos de exploração em Urucu.
O avanço das concessões ocorre em um momento em que o Amazonas busca ampliar sua participação na cadeia nacional de petróleo e gás, setor que já movimenta bilhões de reais na economia estadual e abriga uma das maiores reservas terrestres de gás natural do país.
Foto: Alex Pazuello/Secom
