Salazar debuta na tribuna e mostra o que tem para levar para o Congresso

Discurso se aproximou mais de um acerto de contas do que de um pronunciamento político

Salazar debuta na tribuna e mostra o que tem para levar para o Congresso

Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 09/06/2026 às 05:50 | Atualizado em: 09/06/2026 às 05:50

O vereador e pré-candidato a deputado federal Sargento Salazar (PL) protagonizou ontem um dos discursos mais agressivos já registrados na tribuna da Câmara Municipal de Manaus (CMM).

Após cerca de um ano e meio de mandato, o parlamentar debutou no principal espaço de fala do Legislativo municipal para denunciar, acusar, ameaçar e desafiar adversários.

Contudo, a linguagem foi tão tosca que o presidente o presidente dos trabalhos, vereador Jander Lobato (PSD) a determinar a supressão de palavrões dos registros oficiais da sessão.

Independentemente da veracidade ou não das acusações, o episódio levanta questionamentos sobre o papel institucional da tribuna parlamentar e sobre o tipo de representação política que Salazar pretende exercer caso confirme o favoritismo que hoje exibe nas pesquisas para deputado federal em 2026.

A tribuna é o espaço mais simbólico do Parlamento. É o local que se destina ao debate de ideias, à fiscalização do poder público e à apresentação de propostas. No entanto, a fala do vereador assumiu um tom de intimidação e ameaça. A fala se aproximou mais de um acerto de contas público do que de um pronunciamento político.

Em diversos momentos, Salazar dirigiu-se nominalmente a adversários, utilizou expressões ofensivas e adotou uma retórica de confronto pessoal.

O caráter excepcional da situação ficou evidente quando, ao final da manifestação, o presidente da sessão precisou solicitar à taquigrafia que retirasse dos anais da Casa os palavrões pronunciados pelo parlamentar.

Outro aspecto que chama atenção é a ausência de referências aos mecanismos institucionais disponíveis para apuração dos fatos relatados. Embora tenha afirmado que procurará o Ministério Público, grande parte do pronunciamento foi de acusações e desafios, sem explicação sobre os procedimentos legais cabíveis ou sobre eventuais provas que sustentem as denúncias.

Também causa estranheza o relato de episódios que, segundo o próprio vereador, teriam ocorrido anteriormente e dos quais ele já teria conhecimento. Se os fatos descritos configuram irregularidades ou crimes, surge a pergunta inevitável: por que não foram denunciados às autoridades competentes à época em que teriam ocorrido?

Do ponto de vista político, o discurso oferece uma prévia do estilo que Salazar pretende levar para Brasília. Tudo indica que o vereador será eleito deputado federal em 2026. As pesquisas de intenção de voto o colocam entre os nomes mais competitivos da disputa no Amazonas.

A questão central, porém, não é se ele será eleito. É como exercerá o mandato.

A experiência recente do Congresso Nacional demonstra que bravatas, provocações e enfrentamentos pessoais raramente produzem influência política efetiva. Parlamentares que chegam a Brasília apostando apenas no embate verbal costumam encontrar dificuldades para construir alianças, relatar projetos, negociar pautas e ocupar posições de relevância.

Na própria Câmara Municipal, a reação ao pronunciamento foi reveladora. Apesar do tom inflamado, Salazar não conseguiu mobilizar o plenário. Nenhum vereador pediu aparte durante a fala. O silêncio dos colegas acabou sendo uma das respostas mais eloquentes ao discurso.

A eleição de um deputado federal não se resume à escolha de um fiscalizador ou de um denunciador. O Amazonas precisa de representantes capazes de articular políticas públicas, defender a Zona Franca de Manaus, lutar pela geração de empregos, negociar recursos para infraestrutura e participar das grandes discussões nacionais.

Discursos assim permitem uma reflexão importante: o estilo político que rende visibilidade nas redes sociais é o mesmo que produz resultados concretos para o Estado? A resposta para essa pergunta poderá definir não apenas o futuro de Salazar em Brasília, mas também a qualidade da representação amazonense na próxima legislatura.

Discurso

Hoje eu vim trazer para vocês aqui uma situação que está acontecendo na minha vida. Eu quero deixar um recado: Roberto Cidade, pão molhado, com família ninguém se mexe, tá bom? Com família é no covarde. Para cima da mãe do meu filho, ofereceram milhões para ela para tentar me prejudicar. Eu vou mostrar aqui o print de uma ex-tenente fracassada que trabalha prestando serviço para o Ceap, a mando do major Eduardo Reis, braço direito desse governador safado, covarde.

Eu vou mostrar para vocês aqui o print das conversas, desde o começo. Desde o começo. Pega as outras, as outras (vereador fala com a técnica). Pega os outros, só mandou dois. O começo da conversa. Ah, tá aí, tá aí, essa daí.

Quero falar uma situação, com você uma situação. Fala, a mãe do meu filho, “fala que sou curiosa”. Só pessoalmente. Vou aí com você. É bom ou ruim? É excelente pra você. Mas tá nas suas mãos. Tá certo. Não, é outra.

Aí ela foi lá conversar com ela pessoalmente, falou que o Roberto Cidade tava disposto a dar milhões, milhões de casas, contrato no governo, pra ela me desmoralizar. Para ver se ela sabia algo contra mim. Aí ela respondeu. Ela foi para a reunião com essa covarde, Dessa fracassada, dessa tenente. E ela respondeu no outro dia. Ela correu comigo desesperada, Por conta do nosso filho. Desesperada, com medo que acontecesse alguma coisa com o nosso filho. Eu não tenho coragem de sacanear o Salazar de verdade. É pai do meu filho. Dinheiro não é tudo. A nossa paz sim. E a consciência tranquila.

Passa outra aí. Tá certo, amiga. Aí a mãe do meu filho respondeu. Eu vivo em paz. Não somos ricos, corremos atrás das nossas coisas, mas somos felizes porque temos paz. E eu te aconselho a não se envolver com esses caras. Aí, a covarde, a fracassada, o jeito é lutar mesmo. Ela queria dinheiro fácil, pela tua paz também. Amiga, estou nas minhas lutas, mas não vou mentir que acendei uma esperança, esperança de ganhar dinheiro fácil, não é, Tenente Aderleine?

Ex-tenente, sua covarde, essa já é a segunda vez que eles tentam fazer algo para me prejudicar, prejudicar minha família.

Eu vou denunciar todos vocês: Major Eduardo Reis. Eu vou no Ministério Público, vocês, ano passado. Tiraram o preso de dentro do presídio, sem autorização da justiça, invadiram a casa dum preso para tentar me prejudicar, porque o preso foi falar que tinha um pendrive onde me comprometia, um preso que eu nunca vi na minha vida.

Major Camussa, covarde, junto com o Wilson Lima, tiraram o preso lá de dentro e invadiram a casa do preso. Os policiais que estavam com ele não concordou com o que eles estavam fazendo e esparrou para todo mundo.

Toda a polícia no Amazonas sabe. Não adianta vocês tentarem acabar com a minha vida. Para vocês, mostrando a verdade, tratos, é de vocês que só ganham comprando.

Eu quero falar uma coisa, pão molhado, eu nunca bati violência doméstica, que nem você responde. Vem pra cima, seu espanto de safado. Esse é o meu desabafo.

Não vou arregar para nenhum de vocês. Estou preparado para morrer com honra, seus covardes.

Podem usar todo o sistema contra mim, eu não tenho medo de vocês. E esse ex-secretário de segurança, coronel Vinícius, também agressor de mulher. É um dos que está por trás de toda a trama para me prejudicar. Coronel Vinícius, você é um agressor de mulher.

Eu vou colocar aqui o boletim de ocorrência do atual governador. Vou te deixar por uns 5 segundos aí, pra toda a sociedade do Amazonas ver. Violência psicológica contra a mulher.

Você é um covarde, porra. Tu só ganha comprando voto, covardão. Vem pra cima que eu tô preparado mesmo. Eu tô pronto! Tu é um covarde, tenho dito.

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Foto: divulgação