Governo teme sanções após decisão dos EUA sobre PCC e CV
Medida entra em vigor nesta sexta-feira (5); governo brasileiro monta três cenários possíveis
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 05/06/2026 às 14:08 | Atualizado em: 05/06/2026 às 14:08
Passa a valer a partir desta sexta-feira (5) a decisão do governo dos Estados Unidos de classificar as duas maiores facções criminosas do Brasil, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas.
A medida adotada pela gestão do presidente Donald Trump colocou a diplomacia e a área de segurança do governo brasileiro em estado de alerta máximo. Como informa a jornalista Andréia Sadi, no g1.
Nos bastidores de Brasília, o clima é de monitoramento constante. Integrantes do Executivo e diplomatas acompanham de perto os próximos passos de Washington e já trabalham com três cenários possíveis para os desdobramentos práticos dessa classificação.
Os três cenários no radar de Brasília
De acordo com fontes do governo, o impacto da medida pode variar de um mero aceno político a sanções econômicas severas que afetariam o sistema financeiro nacional.
- Cenário 1: Efeito simbólico (o mais brando)Nesta primeira linha de análise, a classificação teria um caráter majoritariamente político. Funcionaria como um gesto de Trump para inflamar sua base de apoio doméstico, sem gerar consequências práticas ou operacionais profundas na relação com o Brasil.
- Cenário 2: O “Modelo Venezuela” (enfrentamento operacional)Tomando como referência ações anteriores na América Latina, este cenário prevê que Washington amplie o cerco asfixiante ao narcotráfico. Isso incluiria a apreensão de ativos internacionais, bloqueios e até mesmo interceptações navais de embarcações que os serviços de inteligência americanos apontem como ligadas ao crime organizado brasileiro.
- Cenário 3: O “Modelo Mexicano” (a maior preocupação)Este é o diagnóstico que mais tira o sono de parte do governo brasileiro. O espelho aqui é a ofensiva que os EUA promoveram no passado contra instituições financeiras mexicanas, punindo bancos acusados de facilitar a lavagem de dinheiro de cartéis.
O temor do “dia seguinte”
A grande apreensão em Brasília é que o carimbo de “organização terrorista” sirva de base legal para que o Tesouro Americano aplique sanções severas a pessoas físicas, empresas e estruturas que a inteligência dos EUA suspeite estarem dando suporte econômico direto ou indireto às facções.
O receio não é o anúncio em si, mas as portas que ele abre na legislação americana para intervenções financeiras. Como resumiu reservadamente um diplomata brasileiro bastidores:
“O receio não é a decisão de hoje. O receio é o que ela pode autorizar amanhã.”
Leia mais no g1.
Leia mais
Para Trump e Flávio Bolsonaro, PCC e CV são terroristas a partir de hoje
Foto: Ricardo Stuckert / PR
