Estudo revela como bilhões saem do país com ouro da Amazônia

Pesquisa do Greenpeace indica uso de “licenças fantasmas” para ocultar a origem de ouro extraído de áreas protegidas e terras indígenas

Estudo revela como bilhões saem do país com ouro da Amazônia

Da redação do BNC Amazonas

Publicado em: 05/06/2026 às 09:07 | Atualizado em: 05/06/2026 às 09:07

Um estudo divulgado pelo Greenpeace revela que bilhões de dólares em ouro continuam saindo da Amazônia por meio de um esquema que, segundo a organização, permite ocultar a origem de minério extraído ilegalmente da floresta, apesar das ações do governo federal para combater o garimpo ilegal.

De acordo com a pesquisa, garimpeiros têm se adaptado às fiscalizações utilizando permissões de mineração emitidas para áreas onde não há atividade de extração. Como informa o Jornal do Brasil.

Essas autorizações seriam usadas para dar aparência de legalidade ao ouro retirado de locais proibidos, como terras indígenas e unidades de conservação.

O levantamento analisou 187 áreas florestais na Amazônia que possuem licenças para mineração de ouro concedidas pela Agência Nacional de Mineração (ANM). Todas as áreas avaliadas estão localizadas próximas a territórios indígenas e regiões protegidas.

Segundo o Greenpeace, em 98 dessas áreas não foram encontrados indícios de atividade minerária. Mesmo assim, as permissões vinculadas a esses locais teriam sido utilizadas para justificar a venda de ouro no mercado formal.

A organização classifica essas autorizações como “licenças fantasmas”, por estarem associadas a áreas sem operações de mineração identificáveis. Entre 2018 e março de 2026, essas permissões teriam servido para legalizar a comercialização de aproximadamente 26,8 toneladas de ouro.

O volume movimentado é estimado em US$ 3,88 bilhões, valor que evidencia a dimensão econômica do mercado associado ao metal extraído na Amazônia.

O estudo também aponta que parte desse ouro pode ter sido retirada de áreas protegidas e terras indígenas, onde a atividade garimpeira ilegal continua sendo registrada. Para o Greenpeace, o mecanismo facilita a entrada do minério de origem irregular na cadeia formal de comercialização, dificultando o rastreamento e o combate aos crimes ambientais.

Os dados reforçam os desafios enfrentados pelas autoridades para conter a exploração ilegal de recursos naturais na Amazônia, mesmo após o aumento das operações de fiscalização e das medidas adotadas pelo governo federal nos últimos anos.

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