Garimpo ilegal cai 99% na terra ianomâmi após cerco do governo

Operação bloqueou rotas de abastecimento, destruiu estruturas e causou prejuízo de R$ 709 milhões aos invasores.

Publicado em: 03/06/2026 às 10:22 | Atualizado em: 03/06/2026 às 10:23

A estratégia de cortar o abastecimento dos garimpos ilegais na terra indígena ianomâmi começa a produzir resultados históricos. Levantamento do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) aponta que o surgimento de novas áreas de exploração caiu 99% desde a criação da Casa de Governo, em março de 2024.

O resultado reflete o reforço das operações de fiscalização em pistas clandestinas, rios, portos, postos de combustíveis e rotas usadas para transportar equipamentos, mantimentos e combustível aos invasores.

Somente em maio deste ano, a Operação de Desintrusão da terra indígena ianomâmi realizou 310 ações de combate ao garimpo ilegal. As equipes fizeram 1.060 abordagens e fiscalizaram 1.029 veículos, 53 aeronaves, 15 pistas de pouso e seis postos de abastecimento.

Durante as operações, agentes apreenderam duas aeronaves, uma embarcação, armamentos e equipamentos usados na atividade criminosa. Também destruíram 19 acampamentos, 10 balsas, nove embarcações, 41 motores, 11 geradores e nove estruturas de separação de minério.

As ações ocorreram em áreas como Herepi, Garimpo do Baiano, Onkiola, Pista do Dicão e Aracaçá, regiões historicamente pressionadas pela atividade garimpeira.

Além do combate dentro da reserva, órgãos federais ampliaram a fiscalização em corredores logísticos utilizados para abastecer os invasores. Em uma das operações, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) identificou carregamentos de alimentos destinados aos garimpos. Já a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu cerca de quatro quilos de ouro sem documentação na BR-174.

Desde março de 2024, a operação contabiliza 10.554 ações. Nesse período, agentes apreenderam 249 quilos de ouro, mais de uma tonelada de mercúrio, 184 veículos e 51 embarcações.

As forças de fiscalização também inutilizaram 907 acampamentos, 87 pistas de pouso, 55 aeronaves, 312 embarcações, 171 balsas e 2.229 motores utilizados pelo garimpo ilegal.

Segundo o governo federal, o conjunto das operações já provocou prejuízo estimado em R$ 709 milhões às organizações que atuavam ilegalmente dentro da Terra Indígena Yanomami.

A presença permanente das equipes segue concentrada na interrupção das rotas de abastecimento e na proteção das comunidades indígenas, com o objetivo de impedir a retomada das atividades ilegais na região.

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Foto: divulgação/Casa Civil