Tarifaço por trabalho escravo vai ser refutado com diálogo, diz governo
Itamaraty tenta evitar nova sobretaxa dos EUA, que pode elevar tarifa sobre produtos brasileiros para 37,5%.
Publicado em: 03/06/2026 às 10:00 | Atualizado em: 03/06/2026 às 10:01
O governo Lula prepara uma nova ofensiva diplomática para tentar barrar a ampliação das tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
Nos bastidores, integrantes do Palácio do Planalto já trabalhavam com a possibilidade de Washington anunciar uma sobretaxa relacionada a produtos associados ao trabalho forçado. A avaliação é que a nova cobrança pode ser somada aos 25% já propostos pelos americanos, elevando a taxação para 37,5%.
A estratégia brasileira seguirá a mesma linha adotada após o anúncio da primeira tarifa: apostar no diálogo e na negociação até a conclusão da investigação conduzida pelo governo dos Estados Unidos.
Em abril, o Brasil apresentou uma defesa técnica destacando ações de combate ao trabalho escravo. O documento cita a criação da Comissão Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo, em 2003, e da chamada “Lista Suja”, mecanismo que restringe o acesso a financiamentos públicos para empregadores flagrados explorando mão de obra em condições análogas à escravidão.
Nesta quarta-feira (3), o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, participa de um evento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em Paris.
No encontro também estará Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos e responsável por parte das negociações comerciais do governo Donald Trump.
Embora não exista reunião oficial marcada, interlocutores do Itamaraty afirmam que Mauro Vieira pretende buscar uma conversa com Greer para tratar das tarifas e defender a posição brasileira.
O governo avalia que a negociação diplomática continua sendo o principal caminho para evitar novas barreiras comerciais contra produtos exportados pelo Brasil.
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Foto: Wellyngton Souza/Sesp-MT
