Trump busca brecha para ação militar no Brasil, avalia especialista

Promotor que combate o PCC diz que classificação das facções como terroristas pode criar riscos à soberania brasileira.

Publicado em: 29/05/2026 às 10:56 | Atualizado em: 29/05/2026 às 10:57

A decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pode abrir caminho para ações militares em território brasileiro. A avaliação é do promotor de Justiça Lincoln Gakiya, uma das principais referências no combate às facções no país.

Segundo Gakiya, a medida muda a forma como Washington passa a tratar o tema. Em vez de uma questão policial, o assunto migraria para a área de defesa nacional americana.

O promotor afirma que a mudança pode ampliar o papel de órgãos de inteligência e das Forças Armadas dos Estados Unidos nas ações contra as facções.

“Pode gerar a possibilidade de realização de operações militares secretas sem a anuência do governo estrangeiro, por exemplo uma ação militar em território brasileiro”, afirmou.

Gakiya também alertou para possíveis impactos na cooperação internacional. De acordo com ele, informações hoje compartilhadas entre autoridades brasileiras e americanas podem passar a ter acesso mais restrito.

Na avaliação do integrante do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a classificação dificulta a troca ágil de dados entre investigações conduzidas pelos dois países.

Os Estados Unidos anunciaram nesta quinta-feira (28) o enquadramento do PCC e do CV como organizações terroristas, ampliando instrumentos de sanção e atuação internacional contra os grupos criminosos.

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Foto: reprodução/YouTube