Observatório do Clima põe em xeque plano ambiental de Lula para BR-319

Ao visitar as obras da rodovia, o presidente prometeu que a BR-319 será a “estrada-modelo, modelo de qualidade e de preservação ambiental”

Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 28/05/2026 às 14:02 | Atualizado em: 28/05/2026 às 14:13

Responsável por ação na Justiça Federal contra asfaltamento da BR-319, o Observatório do Clima coloca em dúvida a eficácia do plano ambiental anunciado pelo presidente Lula da Silva para conter o desmatamento no entorno da BR-319, que liga Manaus a Porto Velho (RO).

Segundo a rede de entidades ambientais, as ações do governo federal voltadas para preservação ambiental têm previsão de implantação total até 2028.

E, ao mesmo tempo, o ministro dos Transportes, George Santoro, afirmou que “até final de junho, toda BR-319 estará em obras”.

Dessa maneira, a ong vê um descompasso entre o início dos trabalhos e a realização da proteção efetiva da floresta.

A organização afirma que a proposta do governo não impede os impactos dos serviços que o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) pretende realizar nos próximos meses, sem licenciamento, justamente no trecho mais preservado da floresta, já sob intensa pressão.

Salvaguardas

Para Suely Araújo, coordenadora de Políticas Públicas do OC, o reconhecimento por parte do atual governo de que é preciso planejar e implementar salvaguardas socioambientais para a região é um início.

Contudo, a coordenadora critica a forma como foi proposto o plano, pois não resolve a discussão sobre as medidas para enfrentamento dos impactos gerados pelo asfaltamento do chamado “trecho do meio” da BR-319, cujo processo judicial está em curso.

Estudo

O Observatório aponta ainda os estudos indicando que o desmatamento já está aumentando na região e pode quadruplicar na área de influência da rodovia, caso a pavimentação seja realizada sem garantia de governança socioambiental.

Além disso, a entidade afirma que o próprio Dnit admite a abertura de ramais ilegais “conectando trechos de floresta preservada à futura rodovia, o que indica que a especulação imobiliária e a grilagem de terras já está em pleno curso na região”.

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Foto: Ricardo Stuckert / PR