Carbono Oculto: ação investiga crime organizado nos combustíveis

A operação do MP e Receita Federal busca desmantelar fraudes, sonegação e lavagem de dinheiro com a participação de facção criminosa.

Carbono Oculto: ação investiga crime organizado nos combustíveis

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 28/05/2026 às 08:48 | Atualizado em: 28/05/2026 às 08:48

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo, e a Receita Federal deflagraram na manhã desta quinta-feira (28) uma nova fase da operação Carbono Oculto para combater fraudes, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.

Batizada de “Fluxo Oculto”, a ação cumpre 59 mandados de busca e apreensão em cinco estados brasileiros: São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. A informação foi divulgada pelo ICL Notícias.

Conforme a publicação, o foco da investigação é a suposta infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no mercado de combustíveis por meio de empresas de fachada e instituições financeiras.

Entre os endereços alvos da operação está um imóvel localizado na rua Joaquim Floriano, no bairro Itaim Bibi, região da Faria Lima, em São Paulo. O local já havia sido alvo da Operação Carbono Oculto em agosto de 2025. Empresários, operadores logísticos e suspeitos de atuarem como “laranjas” estão entre os investigados.

Somente na capital paulista são cumpridos 21 mandados. A operação também alcança municípios paulistas como Arujá, Atibaia, Barueri, Itupeva, Jardinópolis, Mogi das Cruzes, Paulínia, Rafard, Santos, São José do Rio Preto, Sorocaba e Votorantim. Fora de São Paulo, há ações em Iguatemi (MS), Belo Horizonte e Nova Lima (MG), Cascavel e Paranavaí (PR), além da cidade do Rio de Janeiro.

Segundo o Ministério Público, seis fintechs atuariam como “bancos paralelos” de uma organização criminosa ligada ao setor de combustíveis. As investigações apontam que o esquema continuou operando mesmo após outras instituições financeiras terem sido alvo da etapa anterior da operação.

De acordo com os investigadores, essas empresas integrariam um núcleo financeiro usado para compensações internas entre distribuidoras e postos de combustíveis. Elas também seriam utilizadas para movimentações financeiras entre empresas e fundos de investimento, além de pagamentos a funcionários e despesas pessoais de operadores do esquema criminoso.

Instituições e fintechs

A Receita Federal identificou que as seis instituições movimentaram mais de R$ 26 bilhões entre 2022 e 2025. Parte dos recursos teria circulado por meio de depósitos em espécie e abertura de contas em outras instituições de pagamento. Uma das empresas investigadas recebeu mais de R$ 1 bilhão em dinheiro vivo entre 2022 e 2024.

As apurações revelam ainda que três dessas fintechs declararam movimentações de aproximadamente R$ 8 bilhões apenas entre janeiro e dezembro de 2025. Outras três empresas deverão ser autuadas por não entregarem declarações obrigatórias à Receita Federal.

Outro ponto que chama atenção dos investigadores é a movimentação de ao menos R$ 365 milhões em criptoativos vinculados às instituições financeiras investigadas.

Segundo o Ministério Público, o PCC aparece na investigação como beneficiário indireto das operações financeiras, utilizando estruturas semelhantes para lavagem de dinheiro, ocultação patrimonial e circulação de recursos ilegais por meio de fintechs e empresas do setor de combustíveis.

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