Antes de atacar ZFM, advogado comeu traíra no Amazonas
A atuação de um advogado ligado à ofensiva contra a Zona Franca de Manaus em agendas da Suframa e do setor industrial gerou reação e desconfiança nos bastidores do polo amazonense.
Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 18/05/2026 às 07:12 | Atualizado em: 18/05/2026 às 07:12
Quando o amazonense gosta de um visitante, usa-se uma famosa frase que sintetiza costume, cultura boa recepção. “Quem come jaraqui não sai mais daqui”. Mas, o que dizer dos que comem traíra? Poderia ser: “comeu traíra aqui, vai trair a gente ali”. Traíra é tão gostosa que poderia ser poupada nesse analogia. Porém, neste texto, suas espinhas serão necessárias para ilustrar o contexto.
Pois bem:
A presença do advogado tributarista e economista Eurico Marcos Diniz de Santi em agendas recentes da Zona Franca de Manaus (ZFM) acendeu um alerta entre empresários e defensores do modelo. O motivo é que De Santi aparece entre formuladores da nota técnica utilizada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) na ofensiva judicial contra os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus. Isso aconteceu na semana que passou.
Nos bastidores, lideranças do setor produtivo local relatam surpresa e preocupação. Isso porque De Santi circulou recentemente em Manaus participando de seminários, reuniões e encontros sobre reforma tributária e desenvolvimento regional, inclusive dentro da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Segundo empresários, ele era apresentado como interlocutor técnico alinhado à defesa do modelo.
“Esse cara conheceu a gente profundamente por dentro e agora está nos atacando”, afirmou uma fonte do setor industrial à reportagem.
De acordo com relatos obtidos pelo BNC Amazonas, De Santi participou de debates enaltecendo a importância da Zona Franca. No entanto, paralelamente, ele construía estudos usados como base pela Fiesp e pela Abinee na ação que questiona vantagens fiscais asseguradas à ZFM.
A ofensiva judicial das entidades empresariais paulistas provocou forte reação no Amazonas nos últimos dias. A própria Suframa contestou publicamente a iniciativa, classificando o movimento como ameaça à competitividade regional e aos empregos vinculados ao polo industrial.
Paulo Skaff é do Republicanos
Além da atuação técnica de De Santi, outro ponto que se observou foi a ligação política do presidente da Fiesp, Paulo Skaff. Skaff é filiado ao Republicanos, legenda que no Amazonas abriga os deputados federais Amom Mandel e Silas Câmara.
Nos bastidores, interlocutores da indústria local avaliam que a articulação política e econômica por trás da ação contra a Zona Franca vai além de uma disputa tributária e envolve interesses nacionais ligados à redistribuição de incentivos fiscais após a reforma tributária.
Sócios da Abinee de Manaus
Outro foco de cobrança recai agora sobre empresas instaladas em Manaus que integram a Abinee, entidade autora da ofensiva contra a ZFM, mas que até o momento não se posicionaram publicamente sobre o caso.
Empresários ouvidos pela reportagem afirmam que as entidades representativas “não agem sozinhas” e refletem interesses e deliberações de suas associadas.
“Entidade não tem vida própria. Ela faz aquilo que as associadas concordam. Estão do lado de quem?”, questionou uma fonte ligada ao setor industrial.
Entre as associadas da Abinee com operações na Zona Franca de Manaus estão gigantes do setor eletroeletrônico, como Samsung, LG Electronics, Flextronics, Panasonic, Motorola, Lenovo, Foxconn, Intelbras e Positivo Tecnologia.
Também aparecem na lista empresas como Jabil, WEG, Elgin, TecToy, AOC e Multilaser.
Até o momento, essas companhias não divulgaram manifestações públicas sobre a ação movida pela Abinee e pela Fiesp contra os incentivos da Zona Franca de Manaus.
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