Tarcísio fracassa na despoluição bilionária do rio Pinheiros

O rio está hoje em pior condição do que a de 2018, antes do início da revitalização.

Publicado em: 08/05/2026 às 14:46 | Atualizado em: 08/05/2026 às 14:50

O projeto bilionário criado para transformar o rio Pinheiros em símbolo da revitalização urbana de São Paulo perdeu força e voltou a enfrentar índices críticos de poluição durante o governo Tarcísio de Freitas.

Lançado em 2019 pela gestão de João Doria, o programa Novo rio Pinheiros prometia recuperar o curso d’água e criar uma espécie de “Puerto Madero paulistano” nas margens do rio.

Na primeira fase, o projeto recebeu investimento de R$ 1,5 bilhão. Mais de 550 mil ligações de esgoto foram feitas em bairros próximos, cinco estações de tratamento entraram em operação e cerca de 700 mil toneladas de resíduos foram retiradas do rio.

Os resultados chegaram a aparecer. Peixes e tartarugas voltaram a ser vistos no Pinheiros, enquanto o mau cheiro diminuiu em vários trechos.

Nos últimos anos, porém, especialistas apontam retrocesso ambiental e abandono das ações de recuperação.

Dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) mostram piora nos índices de qualidade da água. Em 2025, a demanda bioquímica de oxigênio (DBO), um dos principais indicadores de poluição, atingiu média de 122 miligramas por litro no trecho próximo ao encontro com o rio Tietê.

Para comparação, rios já considerados em condição péssima registram índice acima de 29 miligramas por litro.

Entre 2019 e 2022, durante a gestão Doria, a média anual de DBO ficou em 47. Já no governo Tarcísio, o índice subiu para 65, o pior resultado da última década.

“O cheiro ruim voltou e há mais lixo”, afirmou Gustavo Veronesi, coordenador da ONG SOS Mata Atlântica.

A pesquisadora Marta Marcondes, coordenadora do Projeto IPH, afirma que o despejo de esgoto sem tratamento continua afetando diretamente o rio.

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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil