Raios-X da migração: cresce presença de venezuelanas e cubanos no Brasil

Hoje são mais de 2 milhões, menos de 500 mil com trabalho formal. Roraima e Amazonas são alvos principais.

Publicado em: 07/05/2026 às 11:56 | Atualizado em: 07/05/2026 às 11:58

O Brasil ultrapassou a marca de 2 milhões de migrantes e refugiados vivendo no país, segundo relatório do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), divulgado pelo Ministério da Justiça. Desse total, cerca de 415 mil possuem emprego formal. 

O levantamento aponta mudanças no perfil da imigração venezuelana. Mulheres e crianças de até 14 anos passaram a representar parcela maior dos novos fluxos migratórios.

Os pesquisadores alertam que essa mudança amplia a necessidade de políticas públicas voltadas à proteção social, educação e assistência humanitária, especialmente em estados de fronteira como Roraima e Amazonas.

O relatório também mostra avanço acelerado da imigração cubana. Hoje, o Brasil abriga cerca de 84 mil cubanos. Desde 2019, pedidos de refúgio passaram a superar solicitações de residência temporária feitas por esse grupo.

Segundo o estudo, o fluxo migratório já não se concentra apenas em Roraima. Migrantes venezuelanos estão espalhados por diferentes regiões do país, incluindo estados do Sul e da Amazônia.

O mercado formal também mudou nos últimos anos. O número de trabalhadores imigrantes saltou de pouco mais de 50 mil em 2010 para 415 mil em 2025. Apesar disso, a renda média caiu de R$ 15,5 mil para cerca de R$ 4,5 mil no período. 

Os dados indicam ainda maior concentração desses trabalhadores em funções operacionais e setores de menor remuneração.

Saiba mais na Folha de S. Paulo.

Leia mais

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil