Invasor da terra ianomâmi, garimpeiro vira réu na Justiça federal
Acusado confessou atuação por mais de um ano; MPF pede indenização por danos coletivos
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 06/05/2026 às 09:04 | Atualizado em: 06/05/2026 às 09:56
A Justiça Federal tornou réu o garimpeiro Raimundo Nonato de Sousa, de 56 anos, acusado de extrair ouro ilegalmente na terra indígena ianomâmi.
Dessa forma, a denúncia foi apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) e aceita pela juíza Mirna Brenda de Magalhães Salmázio, da 4ª Vara da Seção Judiciária de Roraima. Como informa o g1.
Segundo o MPF, Raimundo Nonato responderá por usurpação de matéria-prima pertencente à União, extração ilegal de recursos minerais — com agravante por ocorrer em terra indígena e com finalidade lucrativa — além de invasão de terras públicas.
O caso remonta a junho de 2025, quando o garimpeiro foi preso durante fiscalização realizada por agentes da Força Nacional de Segurança Pública, no âmbito das operações “terra ianomâmi II – Roraima” e “operação Asfixia”. Ao perceber a presença dos agentes, ele tentou fugir pela mata, mas foi localizado e detido.
Em depoimento, o acusado confessou que atuava há cerca de um ano e três meses no chamado “Garimpo do Rangel”.
No período, afirmou ter extraído aproximadamente 60 gramas de ouro. Ele também declarou que a área de exploração havia sido cedida por terceiros, o que, segundo o MPF, indica a existência de uma estrutura coletiva organizada para a mineração ilegal.
Durante a operação, os agentes encontraram tambores de combustível vazios nas proximidades, evidenciando a logística utilizada para sustentar a atividade garimpeira na região.
Além da responsabilização criminal, o MPF solicitou que o réu seja condenado ao pagamento de R$ 10 mil por danos morais coletivos. O valor, caso deferido, será destinado ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos.
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Foto: Leo Otero/MPI
