Entenda porque o encontro Lula-Trump interessa diretamente ao Amazonas
Lula viaja na noite de hoje para se reunir amanhã com o presidente dos EUA, em Washington.
Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 06/05/2026 às 07:26 | Atualizado em: 06/05/2026 às 12:13
A viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos Estados Unidos (EUA) para se reunir com Donald Trump não interessa apenas a Brasília, Washington ou ao mercado internacional. Ela interessa diretamente ao Amazonas.
Lula viaja na noite de hoje para se reunir amanhã com o presidente dos EUA, em Washington.
Na pauta do encontro, estão temas como comércio, tarifas comerciais e narcocrime. Mas há também um tema que coloca o estado no centro de uma disputa global: os minerais críticos e as terras raras.
Segundo a mídia nacional, Lula e Trump devem tratar da exploração desses minerais no Brasil, tema visto pelos Estados Unidos como estratégico diante da dependência norte-americana de cadeias estrangeiras de fornecimento.
O Amazonas entra nessa conversa porque abriga depósitos relevantes desses recursos. O Serviço Geológico do Brasil aponta que o depósito de Seis Lagos, em São Gabriel da Cachoeira, é uma área de nióbio com altas concentrações de terras raras e recurso estimado em 43,5 milhões de toneladas de ETR.
Sobretudo, a mesma fonte destaca Pitinga, em Presidente Figueiredo, como um dos poucos depósitos brasileiros com potencial expressivo de terras raras pesadas, embora ainda sem exploração dedicada.
Em Presidente Figueiredo, a Mina de Pitinga já é conhecida pela produção de estanho, nióbio e tântalo. Também há reservas e ocorrências em Presidente Figueiredo, Autazes, São Gabriel da Cachoeira, Nova Olinda do Norte, Itacoatiara e Apuí.
No fim de novembro de 2024, o site BNC Amazonas noticiou em primeira mão o embarque dos chineses na Mina de Pitinga. Portanto, China já cuidava do tema antes de Trump voltar à Casa Branca. Isso porque sua eleição se deu no início de novembro de 2024. Ele só tomaria posse no ano seguinte.
Os minerais estratégicos são cobiçados porque sustentam setores como carros elétricos, turbinas eólicas, satélites, mísseis, motores, baterias, inteligência artificial e defesa. O próprio Serviço Geológico do Brasil explica que terras raras são críticas não por serem necessariamente escassas, mas pela complexidade de extração e beneficiamento.
A disputa é geopolítica
A Agência Internacional de Energia aponta que a demanda por terras raras, níquel, cobalto e grafite cresceu entre 6% e 8% em 2024, impulsionada por veículos elétricos, baterias, renováveis e redes elétricas. A mesma análise mostra que o refino desses minerais segue concentrado, com a China respondendo por grande parte do crescimento em terras raras.
Do lado americano, a Casa Branca afirma que os EUA eram 100% dependentes de importações para 12 minerais críticos em 2024 e tinham dependência igual ou superior a 50% em outros 29. O governo Trump também reconhece fragilidade no processamento de terras raras e ímãs permanentes, essenciais para defesa e indústria.
Por isso, quando Trump olha para o Brasil, não enxerga apenas soja, petróleo ou aço. Enxerga uma possível alternativa à dependência chinesa. E quando essa conversa chega aos minerais críticos, o Amazonas deixa de ser periferia e passa a ser território estratégico.
Mas há limites. Seis Lagos, em São Gabriel da Cachoeira, fica em área com restrições legais por estar em região indígena, segundo o SGB. Já Pitinga tem potencial mineral, mas carrega histórico de controvérsias ambientais e sociais. Ou seja: qualquer negociação internacional que envolva essas riquezas precisa discutir soberania, consulta às populações afetadas, proteção ambiental, repartição de benefícios e industrialização no Brasil.
O ponto central para o Amazonas é este: o estado não pode ser tratado apenas como fornecedor de minério bruto. Se houver acordo entre Lula e Trump, a pergunta que interessa aos amazonenses é quem ficará com a riqueza, os empregos, a tecnologia e os riscos ambientais.
O encontro na Casa Branca, portanto, não é distante da realidade local. Ele passa por Presidente Figueiredo, São Gabriel da Cachoeira, Autazes, Itacoatiara, Nova Olinda do Norte e Apuí. Passa pelo subsolo amazônico, pela floresta, pelas terras indígenas e pelo futuro econômico do estado.
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