Diretores de hospital são indiciados por morte de Benício após erro médico

Investigação revelada pelo Fantástico aponta que Benício Xavier, de 6 anos, recebeu dosagem letal de adrenalina na veia; quatro pessoas responderão pelo caso.

Diretores de hospital são indiciados por morte de Benício após erro médico

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 02/05/2026 às 07:57 | Atualizado em: 02/05/2026 às 07:57

O que deveria ser um atendimento de rotina para uma laringite transformou-se em um pesadelo irreparável para uma família amazonense.

O programa Fantástico deste domingo (3) traz detalhes exclusivos da investigação sobre a morte de Benício Xavier, de apenas 6 anos, ocorrida em um hospital particular de Manaus.

O inquérito policial concluiu que houve uma sucessão de erros fatais, resultando no indiciamento não apenas da equipe assistencial, mas também da cúpula administrativa da unidade de saúde.

O erro fatal

No dia 22 de novembro, Benício foi levado ao hospital Santa Júlia com sintomas de tosse seca. Segundo os registros da investigação, a criança recebeu uma prescrição que continha um erro técnico crítico: três doses de 3 ml de adrenalina por via intravenosa, a serem aplicadas a cada 30 minutos.

Especialistas ouvidos durante o processo reforçam que a adrenalina, quando utilizada para quadros respiratórios, geralmente é administrada via nebulização (inalação) e em doses minuciosas. A aplicação direta na veia, na quantidade prescrita, causou uma reação devastadora e imediata no organismo do menino.

“Coração queimando”

Imagens exclusivas obtidas pela reportagem mostram a angústia da família nas salas de espera e nos corredores do hospital. O relato dos pais é dilacerante: logo após a aplicação, Benício empalideceu, apresentou arroxeamento nas extremidades e chegou a verbalizar que “o coração estava queimando”.

A criança foi transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após sofrer paradas cardíacas, mas não resistiu aos danos causados pela dosagem incorreta. A família permaneceu cerca de 14 horas no hospital, entre o atendimento inicial e a confirmação do óbito.

Responsabilização ampliada

A Polícia Civil do Amazonas decidiu por um indiciamento rigoroso. Além da médica responsável pela prescrição e da técnica de enfermagem que executou a aplicação, dois diretores do hospital também foram responsabilizados.

“A responsabilidade não se limita a quem manuseou a seringa, mas também a quem gere os protocolos de segurança e a qualidade do atendimento em uma unidade de saúde”, aponta a linha investigativa.

O que diz o hospital

Em nota, o hospital Santa Júlia afirmou estar colaborando com as autoridades, mas o desfecho do inquérito coloca em xeque os protocolos de segurança do paciente adotados pela instituição. O caso agora segue para o Ministério Público, que decidirá sobre o oferecimento da denúncia à Justiça.

A morte de Benício torna-se um marco doloroso na discussão sobre segurança hospitalar e a importância da dupla checagem em medicações de alta vigilância.

Com informações do g1.

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Foto: reprodução/Tv Globo