Adegas em Manaus: o ciclo vicioso da omissão
Ações pontuais do Estado não freiam a presença de menores em bares, onde o consumo de álcool e drogas ocorre sob fiscalização insuficiente.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 27/04/2026 às 19:23 | Atualizado em: 27/04/2026 às 20:57
O recente fechamento de uma adega no bairro Alvorada, neste domingo (26 de abril), durante a operação Impacto, revela uma ferida aberta na segurança pública de Manaus: a ineficiência das medidas punitivas contra estabelecimentos que reincidem na venda de álcool a menores.
O caso é emblemático e acende o alerta para a fragilidade da rede de proteção.
No local, que já havia sido alvo de intervenção anterior por abrigar 32 adolescentes consumindo bebidas, a prática continuava livremente, evidenciando que operações isoladas servem apenas como “enxugar gelo”.
A realidade nas zonas periféricas da capital, sobretudo, mostra que o problema é estrutural.
As adegas, que se multiplicaram pelas esquinas da capital, tornaram-se zonas de sombra onde o “copão”, a mistura barata de álcool e substâncias ilícitas, é o combustível para noitadas sem qualquer restrição de idade.
A exposição desses jovens a violências sociais, exploração e ao tráfico de entorpecentes é o preço pago por uma prevenção que só acontece após o flagrante.
Embora a Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) e as forças de segurança celebrem a integração dos órgãos, o fato de um comerciante se sentir seguro para repetir o crime após uma primeira abordagem indica que a “ordem” mencionada pelas autoridades é efêmera.
A interdição judicial de um único bar, enquanto dezenas de outros operam sob a mesma lógica na periferia, é uma amostra pequena e insuficiente.
Para o BNC Amazonas, fica claro que o enfrentamento a esse cenário exige mais do que patrulhas de fim de semana. É necessário um monitoramento contínuo e punições que inviabilizem economicamente a reincidência.
Sem uma política de Estado que vá além do espetáculo da operação policial, crianças e adolescentes continuarão sendo as vítimas invisíveis de um comércio que lucra com a destruição do futuro nas periferias de Manaus.
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Foto: Lincoln Ferreira/Secom
