Com Seleção em baixa, 54% dos brasileiros não querem ver a Copa do Mundo

Pesquisa Datafolha aponta o maior índice de apatia da série histórica; desempenho da Seleção e polarização política afastam o torcedor do Mundial

Com Seleção em baixa, 54% dos brasileiros não querem ver a Copa do Mundo

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 21/04/2026 às 10:03 | Atualizado em: 21/04/2026 às 10:06

A menos de dois meses para o apito inicial da Copa do Mundo de 2026, sediada por Estados Unidos, Canadá e México, o clima nas ruas brasileiras está longe do tradicional entusiasmo verde e amarelo.

Segundo dados da mais recente pesquisa Datafolha, a maioria da população (54%) afirma não ter interesse em assistir às partidas do torneio.

O número representa um marco negativo: é o maior percentual de desinteresse registrado desde o início da série histórica, em 1994. Como informa o Notícias ao Minuto.

O recorde anterior pertencia ao período pré-Copa de 2018, na Rússia, quando 53% dos brasileiros se diziam indiferentes. Para efeito de comparação, às vésperas do Mundial do Qatar, em 2022, o índice era de 51%.

O raio-X da apatia

O levantamento, realizado entre os dias 7 e 9 de abril com 2.004 pessoas, detalha como esse desânimo se distribui pela sociedade:

  • – Gênero: o desinteresse é acentuado entre as mulheres (62%), enquanto entre os homens o índice cai para 46%.
  • – Audiência: cerca de 31% dos entrevistados foram enfáticos ao afirmar que não pretendem assistir a nenhum jogo do Mundial.
  • – Margem de erro: dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Crise de Identidade e desempenho técnico

Para muitos torcedores, a falta de confiança na Seleção Brasileira é o principal balde de água fria. Sob o comando de Carlo Ancelotti, a equipe nacional atravessa um momento turbulento.

O Brasil encerrou as Eliminatórias com uma derrota inédita para a Bolívia, terminando em quinto lugar — sua pior colocação na história da competição. Amistosos recentes contra Japão, Tunísia e França também terminaram em tropeços, minando a expectativa do público.

O empresário Denis Seiji Alvarenga, 43, reflete esse sentimento de desconexão. “Copa sempre teve um clima diferente, que conectava todo mundo. Hoje sinto que isso esfriou. Não sei se é só pela seleção ou se é o jeito que consumimos conteúdo hoje, mas aquele ‘parar o país’ parece ter ficado no passado”, afirma.

Política e crítica social no campo

Além do futebol, fatores ideológicos e sociopolíticos entraram em campo. O empresário Valdir Canoso Portasio, 67, aponta o “ufanismo artificial” e a escolha das sedes como motivos de sua repulsa.

“A Copa nos Estados Unidos é um fator de repulsa devido à política anti-imigratória. Se a CBF boicotasse o torneio pelas atitudes de Donald Trump, eu seria o torcedor número um”, diz Portasio.

Ele também menciona a associação da camisa da seleção com movimentos políticos recentes como um entrave: “Nem amarrado vestiria a verde-amarelo pelo que ela passou a representar”.

Entretanto, o Datafolha indica que a rejeição ao torneio atravessa as barreiras partidárias. Quando analisada a preferência política, os eleitores do presidente Lula e do ex-presidente Jair Bolsonaro apresentam padrões de interesse (ou a falta dele) muito semelhantes, sugerindo que o desânimo com a Amarelinha é, hoje, um dos poucos pontos de consenso no país.

Leia mais em Notícias ao Minuto.

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil