Rota do Solimões, no Amazonas, é das principais de facções criminosas

Levantamento aponta alianças entre PCC, CV e TCP em 17 estados e destaca rotas estratégicas do tráfico na região Norte.

PCC e Comando Vermelho na mira dos EUA como organizações terroristas

Publicado em: 13/04/2026 às 09:00 | Atualizado em: 14/04/2026 às 07:40

A rota do alto Solimões, que atravessa o Amazonas, está entre os principais corredores do tráfico de drogas no país. Levantamento da Folha de S.Paulo mostra que o trajeto conecta áreas produtoras, como Colômbia e Peru, ao restante do Brasil e ao mercado internacional.

Esse fluxo é operado por facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP), que hoje atuam em pelo menos 17 estados.

Segundo o levantamento, esses grupos têm formado alianças entre si e com organizações regionais para expandir território e ampliar lucros.

O avanço do TCP chama atenção. A facção, que surgiu no Rio de Janeiro, já firmou parcerias em ao menos dez estados, inclusive em alguns casos ao lado do PCC para enfrentar o CV.

Especialistas avaliam que o crime organizado deixou de ser local e passou a operar em escala nacional e transnacional.

Nesse cenário, o Brasil funciona como um hub logístico para o tráfico internacional, com rotas que levam drogas a mercados na Europa, Ásia e África.

As estratégias, no entanto, são diferentes.

Enquanto o CV mantém foco no controle territorial armado e nas rotas da Amazônia, o PCC aposta na logística e no atacado da droga, com presença em diversos países e atuação na lavagem de dinheiro.

Esse modelo também tem reduzido conflitos diretos entre facções.

A lógica, segundo pesquisadores, é econômica: menos confronto significa menos custo e mais lucro.

Além da rota do Solimões, outros caminhos abastecem o tráfico, como a Rota Caipira, que liga o Centro-Oeste ao Porto de Santos, e o corredor do Vale do Juruá.

Diante desse cenário, o combate ao crime tem apostado na integração entre forças de segurança.

As Ficcos (Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado) e os Gaecos (Grupos de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) atuam no compartilhamento de informações e no enfrentamento financeiro das facções.

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Foto: Adríssia Pinheiro/especial para o BNC Amazonas