Malária: governo diz que mortes de ianomâmis caíram 80%
Avanços na assistência, vacinação e combate à desnutrição indicam melhora no cenário após emergência sanitária no território ianomâmi
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 10/04/2026 às 09:26 | Atualizado em: 10/04/2026 às 09:27
O Ministério da Saúde divulgou nesta quarta-feira (8) um novo balanço apontando uma redução expressiva de 80,8% nas mortes por malária no território ianomâmi, em Roraima, desde o início de 2023.
Segundo o informe, a queda está associada à ampliação das ações de vigilância e diagnóstico. O número de exames para detecção da doença cresceu 75,9%. Com isso, passando de 144.986 para 257.930 testes em 2025, resultado de uma estratégia de busca ativa nas comunidades indígenas.
Conforme a Agência brasil, além do combate à malária, os dados revelam avanços no enfrentamento da desnutrição infantil. Entre 2023 e 2025, as mortes relacionadas à desnutrição caíram 53,2%. No mesmo período, aumentou o percentual de crianças menores de cinco anos com peso adequado, de 45,4% para 53,8%.
O acompanhamento nutricional também foi ampliado: o número de crianças monitoradas subiu de 70,1% para 85,1%. Já os casos de desnutrição grave apresentaram redução significativa, com a proporção de crianças com muito baixo peso caindo de 24,2% para 15,2%.
Na área de doenças respiratórias, houve aumento de 254% nos atendimentos, o que contribuiu para a redução da letalidade em 76% e queda de 16,7% no número de óbitos desde o início da resposta emergencial.
Avanço na cobertura vacinal
Outro destaque do relatório é o avanço na cobertura vacinal. O total de doses aplicadas cresceu 40% entre 2023 e 2025, passando de 31.999 para 44.754.
A proporção de crianças menores de um ano com vacinação completa mais que dobrou, saltando de 27% para 60,6%. Entre menores de cinco anos, a cobertura subiu de 47,4% para 78,3%.
De acordo com a secretária de Saúde Indígena, Lucinha Tremembé, os resultados refletem a ampliação do acesso aos serviços de saúde e o fortalecimento da presença do Estado no território.
“Estamos avançando de forma consistente na melhoria da saúde no território Yanomami, com redução de óbitos e, principalmente, das mortes por causas evitáveis”, afirmou.
A resposta à crise também incluiu o reforço na força de trabalho. O número de profissionais de saúde mais que triplicou, passando de 690 para mais de 2.130 atuando diretamente nas aldeias, na Casa de Saúde Indígena (Casai), em Boa Vista, e nas unidades do Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami.
No campo da infraestrutura, foram realizadas 261 intervenções em sistemas de abastecimento de água e instalados mais de 1.400 filtros, ampliando o acesso à água potável. Também foram implantados 61 sistemas de energia solar e realizadas melhorias em unidades básicas de saúde.
Entre os marcos estruturais, destaca-se a reforma e ampliação do Centro de Referência em Saúde Indígena (CRSI) no polo base de Surucucu. Desde a reestruturação, a unidade realizou 4.374 atendimentos ambulatoriais, incluindo mais de 2 mil exames laboratoriais e 328 ultrassonografias, atendendo 48 comunidades da região.
O Ministério da Saúde avalia que os resultados indicam uma melhora consistente nas condições de saúde do povo ianomâmi, após um período crítico marcado pela presença de garimpeiros ilegais e pela precariedade no acesso a serviços básicos.
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*Com informações da Agência Brasil
Foto: divulgação/MS
