El Niño pode bater recorde e fazer de 2026 o ano mais quente

Fenômeno tem 80% de chance de ocorrer no segundo semestre e deve intensificar ondas de calor no país, sobretudo no Sudeste. Amazônia deve ter danos menores.

Publicado em: 03/04/2026 às 07:36 | Atualizado em: 03/04/2026 às 07:40

O El Niño ainda nem chegou, mas já desenha um cenário de calor intenso no Brasil. Com 80% de chance de formação no segundo semestre, o fenômeno deve elevar as temperaturas em todo o país.

O impacto mais certo será térmico. Segundo especialistas, o calor deve se intensificar a partir de setembro, com maior força no Sudeste e no Centro-Oeste.

O alerta vem do climatologista José Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). Ele aponta que 2026 pode superar 2024 como o ano mais quente da história.

Apesar disso, a intensidade do fenômeno ainda é incerta. “Vai acontecer, será muito quente e vamos sentir mais a partir de setembro. Mais que isso, é especulação”, afirma Marengo.

O El Niño ocorre quando as águas do Oceano Pacífico equatorial ficam ao menos 0,5°C acima da média por três meses. Essa mudança altera ventos e redistribui calor e umidade pelo planeta.

No Brasil, o padrão costuma se repetir. O Norte tende a enfrentar redução de chuvas, enquanto o Sul registra aumento. Já o Centro-Oeste e o Sudeste enfrentam ondas de calor mais frequentes.

Nos últimos anos, essas ondas têm se tornado mais longas e intensas. Em 2024, o país registrou dez episódios. Em 2023, foram oito. Mesmo sem El Niño, 2025 teve sete.

Mais do que picos de temperatura, o problema está na duração. Períodos prolongados de calor acima de 23°C sobrecarregam o corpo e ampliam riscos à saúde.

Outro fator preocupante é a elevação das temperaturas mínimas. As noites seguem quentes, o que impede o descanso do organismo e agrava os efeitos do calor extremo.

“O calor é um assassino invisível e silencioso”, afirma Marengo. Ele alerta para impactos que vão da saúde humana à produtividade e à produção de alimentos.

Além disso, o custo de vida tende a subir. O uso de ar-condicionado dispara e pode triplicar a conta de energia. Já a produção agrícola sofre com seca e extremos climáticos.

Amazônia sob incerteza

Na região Norte, o El Niño costuma reduzir as chuvas. Ainda assim, o impacto sobre as cheias da Amazônia pode ser limitado neste ciclo.

Isso porque, quando o fenômeno estiver consolidado, por volta de setembro, o pico de cheia já terá passado. O principal efeito esperado é atraso no próximo ciclo hidrológico.

As áreas mais afetadas devem ser as nascentes dos rios Solimões e Negro, sem impacto uniforme em toda a bacia.

Mesmo sem definição sobre a intensidade, o cenário já aponta para meses de calor prolongado e pressão crescente sobre clima, economia e saúde no Brasil.

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Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil