Fator Senado: A estratégia de Lula para blindar a governabilidade em 2026

"Um senador com mandato de 8 anos pensa que é Deus", disse o presidente

Publicado em: 01/04/2026 às 13:44 | Atualizado em: 01/04/2026 às 13:44

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom nesta quarta-feira (1º de abril) ao analisar o tabuleiro político de 2026.

Em entrevista à TV Cidade, do Ceará, o petista não poupou palavras ao descrever o peso do Poder Legislativo, afirmando que a eleição de uma base sólida no Senado é o “eixo central” para evitar paralisias no Executivo.

Com a franqueza que tem marcado suas recentes declarações, Lula destacou a natureza peculiar do cargo de senador. Segundo ele, o mandato de oito anos confere uma estabilidade que, sem a devida articulação política, pode inflar egos e dificultar o diálogo com o Planalto.

“Um senador com mandato de 8 anos pensa que é Deus e pode criar muito problema se você não tiver base no Senado”, disparou o presidente.

A “aposta alta” na Esplanada

Para Lula, a prioridade do campo progressista neste pleito não deve se restringir às capitais ou aos governos estaduais.

O foco está no Congresso Nacional. A estratégia, que já vinha sendo desenhada nos bastidores, tornou-se pública com a autorização para que diversos de seus ministros deixassem as pastas para se lançarem candidatos — a grande maioria focada exatamente em cadeiras no Senado.

Essa movimentação é vista por analistas como uma tentativa de corrigir a fragmentação que marcou a primeira metade de seu mandato. Ao enviar nomes de sua estrita confiança para a disputa, o presidente busca:

  • – Garantir a governabilidade: facilitar a aprovação de reformas e projetos estruturantes.
  • – Controle de pautas: mitigar o poder de veto da oposição em nomeações e tratados internacionais.
  • – Equilíbrio federativo: fortalecer o alinhamento entre as políticas do Estado e o Legislativo Federal.

O poder dos oito anos

A fala sobre os senadores “sentirem-se deuses” toca em uma ferida antiga da política brasiliense: o descompasso entre o tempo do Executivo (4 anos) e o do Senado (8 anos).

Essa longevidade permite que parlamentares adotem posturas mais independentes ou até antagônicas ao governo de turno, cientes de que sobreviverão a pelo menos duas gestões presidenciais.

Ao vincular diretamente a eleição de senadores alinhados ao avanço do país, Lula tenta nacionalizar a disputa pelas cadeiras da Câmara Alta, transformando cada vaga em um referendo sobre a sustentação de seu projeto de governo.

No xadrez de 2026, o Planalto deixou claro que prefere perder bons ministros agora para ganhar aliados inabaláveis pelos próximos oito anos.

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Foto: Ricardo Stuckert/PR