Amazônia e Pantanal: COP-15 aprova medidas para proteger bagres e ariranhas

Decisões tomadas em Campo Grande fortalecem a cooperação internacional e visam garantir a conectividade dos rios e a sobrevivência de espécies sentinelas da América do Sul.

Amazônia e Pantanal: COP-15 aprova medidas para proteger bagres e ariranhas

Da Redação do BNC Amazonas*

Publicado em: 29/03/2026 às 15:09 | Atualizado em: 29/03/2026 às 15:09

A 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Espécies Migratórias de Animais Silvestres (COP-15) encerra suas atividades neste domingo (29) com avanços significativos para a conservação da biodiversidade sul-americana.

Em uma decisão histórica, a plenária aprovou o Plano de Ação para Grandes Bagres Migratórios Amazônicos e a inclusão da ariranha na Convenção de Espécies Migratórias (CMS), elevando o status de proteção dessas espécies e estreitando a colaboração entre os países vizinhos.

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Liderada pelo Brasil, com o apoio estratégico da Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela via Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), a iniciativa foca na preservação de habitats de peixes como a dourada e a piramutaba. Estes peixes são conhecidos por realizarem as mais longas migrações de água doce do mundo.

De acordo com Mariana Frias, analista de conservação do WWF-Brasil, a medida vai além da proteção de uma única espécie.

“Os grandes bagres são espécies sentinelas. Eles dependem de rios de livre fluxo para cumprir seu ciclo de vida. Protegê-los significa garantir a segurança alimentar de comunidades humanas e a saúde de toda a biodiversidade aquática”, explica a especialista.

A estratégia aprovada prevê:

  • – Integração de políticas nacionais entre os países amazônicos;
  • – Monitoramento rigoroso das rotas migratórias;
  • – Promoção de cadeias produtivas sustentáveis na pesca;
  • – Participação ativa de comunidades locais e indígenas.

Frias alerta, no entanto, para os desafios: o “gap informacional” (falta de dados) e o impacto de grandes barragens hidrelétricas continuam sendo as principais ameaças à livre circulação nos rios.

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Ariranha: alerta máximo contra a extinção

Outro marco da conferência foi a inclusão da ariranha, a maior lontra do mundo, na lista de espécies ameaçadas de extinção da CMS (Anexo I).

O mamífero semiaquático, que habita principalmente o Pantanal e a Amazônia, sofreu drasticamente no passado com a caça predatória para o mercado de peles, chegando a ser extinto em países como a Argentina.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, celebrou a conquista em suas redes sociais.

“O alerta amplia a proteção internacional e reforça que precisamos agir, juntos, e agora, para garantir a sobrevivência da ariranha, tão importante para o equilíbrio dos nossos rios”, destacou a ministra.

O legado da COP-15

Com o consenso alcançado para a inclusão de diversas espécies nos anexos I (ameaçadas) e II (que demandam acordos internacionais) da Convenção, a COP15 consolida a necessidade de uma gestão transfronteiriça.

Para os especialistas, o sucesso das medidas agora depende da capacidade dos países sul-americanos em transformar o papel aprovado em ações práticas de fiscalização e pesquisa de campo.

*Com informações da Agência Brasil

Foto:  Fish TV