Marina Silva chega ao Amazonas após classificar pirarucu como ‘invasor’

Ministra do Meio Ambiente vai lançar, no Inpa, programa de remuneração a cinco mil manejadores de pirarucu da Amazônia por serviços ambientais prestados

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Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 26/03/2026 às 04:48 | Atualizado em: 26/03/2026 às 08:33

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva estará em Manaus nesta quinta-feira (26 de março). Às 9h30, no Bosque da Ciência, do Inpa – o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – ela vai lançar o inédito Programa de Pagamento por Serviços Ambientais do Pirarucu (PSA Pirarucu).

Considerada inovadora pelo MMA, a iniciativa reconhece e remunera os serviços ambientais prestados por comunidades ribeirinhas que realizam o manejo sustentável da espécie na Amazônia.

No entanto, Marina Silva chega ao Amazonas em meio à nova polêmica. Terá que explicar por que o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), órgão diretamente ligado ao seu ministério, classificou o pirarucu como espécie exótica invasora fora da Amazônia, assim como o tambaqui e a tilápia.

Tal decisão do Ibama, oficializada pela Instrução Normativa nº 7/2026, provocou reação no setor pesqueiro. Também levanta preocupações sobre impactos na produção de pescado, nos investimentos e na segurança jurídica. Por conta disso, entidades defendem a revisão da norma do Ibama.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que, em 2024, foram produzidos 1,7 milhão de quilos de pirarucu, com destaque para Rondônia, Pará e Amazonas.

Sendo assim, Marina Silva, novamente não terá sossego em sua estada no Amazonas. Após as rusgas com políticos e com a imprensa, por conta de sua resistência ao asfaltamento do trecho do meio da BR-319, que liga Manaus/AM a Porto Velho/REO, agora, o assunto que lhe trará dor de cabeça é a história do “pirarucu invasor”.

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Investimentos de R$ 15 milhões

De todo modo, o Programa de Pagamento por Serviços Ambientais do Pirarucu (PSA Pirarucu), que a ministra do MMA vai lançar no Inpa, pretende beneficiar aproximadamente cinco mil pessoas de mais de 40 organizações comunitárias que atuam em 41 áreas protegidas, abrangendo mais de 20 milhões de hectares na Amazônia.

Cerca de R$ 15 milhões serão mobilizados no âmbito do PSA Pirarucu e do Projeto Floresta+ Amazônia, ao longo de dois anos, com financiamento do Green Climate Fund (GCF) e apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), para ampliar o reconhecimento financeiro de quem cuida da floresta e dos rios.

Certificação orgânica

A ministra Marina Silva assinará também portaria conjunta entre MMA, e os Ministérios da Agricultura e Pecuária (Mapa) e da Pesca e Aquicultura (MPA) que, após oito anos de debates com manejadores, viabiliza a certificação orgânica do pirarucu criado em sistemas de manejo sustentável em Terras Indígenas e Unidades de Conservação, abrindo acesso a mercados mais valorizados e a programas de compras públicas com acréscimo de até 30% no preço pago.

Será lançado ainda o Edital de Apoio a Coletivos da Sociobioeconomia, voltado a redes e organizações de povos indígenas e comunidades tradicionais da Amazônia Legal.

Foto: divulgação