Câncer de colo de útero matou mais no Amazonas, em 2025
Segundo o Inca, para o triênio 2026-2028, o estado apresenta a taxa de incidência mais alta do país
Da Redação, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 23/03/2026 às 06:18 | Atualizado em: 23/03/2026 às 06:18
Embora o Brasil tenha registrado a triste marca de 20 mortes diárias por câncer de colo de útero em 2025, o cenário no Amazonas exige uma atenção ainda mais urgente.
Segundo o Inca, para o triênio 2026-2028, o estado apresenta a taxa de incidência mais alta do país: 28,57 casos para cada 100 mil mulheres. Dessa forma, supera largamente a média do Sudeste (14,06).
Amazonas na vanguarda
O enfrentamento à doença no Amazonas tem marcos importantes. O estado foi protagonista na prevenção quando, sob a gestão do então governador Omar Aziz, implementou-se uma política pública arrojada de vacinação gratuita contra o HPV para adolescentes.
Essa ação antecipou discussões nacionais sobre a importância de imunizar jovens antes do início da vida sexual. Dessa forma, estabeleceu-se o entendimento de que o câncer de colo de útero é quase 100% evitável.
Barreiras geográficas e o “odor da omissão”
O câncer de colo do útero é assunto de hoje de reportagem da Folha de S.Paulo. O jornal ouviu a oncologista amazonense Mônica Bandeira, militante da causa. Ela relata uma realidade cruel que persiste desde a década de 80 no Amazonas.
Enquanto em consultórios particulares de São Paulo a doença é detectada em estágios iniciais, no Amazonas o diagnóstico tardio ainda é a regra. “Se tiver uma paciente na recepção, a gente já sente o cheiro do tumor em necrose”, lamenta a médica.
Os desafios são potencializados pela logística amazônica:
- – Logística fluvial: mulheres ribeirinhas chegam a viajar oito dias de barco para conseguir tratamento na capital.
- – Espera por exames: no interior, o processamento de preventivos enviados a Manaus pode demorar até seis meses.
- – Diagnóstico tardio: dois terços dos casos ginecológicos no estado são descobertos em estágios avançados, muitas vezes já com insuficiência renal.
Esperança na tecnologia e autocoleta
Para vencer as distâncias, o Amazonas aposta na modernização. O estado integra um projeto piloto para substituir o Papanicolau pelo teste de DNA-HPV, com meta de universalização até o fim de 2026.
A grande aposta para os rios da Amazônia é a autocoleta. Um estudo da Ufam em Coari, ainda em 2015, mostrou que o método teve quase 100% de aceitação.
Assim, a possibilidade de a mulher realizar a coleta em sua própria comunidade, sem depender da estrutura de um consultório para o rastreio inicial, é vista por especialistas como a única forma real de atingir as metas da OMS no coração da floresta.
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Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
