MPF pede suspensão do abate de búfalos invasores em reservas de Rondônia
Ministério Público questiona falta de consulta a comunidades tradicionais, enquanto ICMBio defende ação para conter danos ambientais graves
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 20/03/2026 às 11:27 | Atualizado em: 20/03/2026 às 11:27
O Ministério Público Federal (MPF) acionou a Justiça para suspender o abate de búfalos invasores em três reservas no oeste de Rondônia. A ação atinge um projeto experimental do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que pretende erradicar cerca de 5 mil animais da região.
O MPF alega que o ICMBio não comunicou previamente a Justiça e não consultou comunidades indígenas, quilombolas e tradicionais das áreas afetadas.
O ICMBio afirma que cumpre decisões judiciais e que o abate inicial de 500 animais é necessário para subsidiar a elaboração do plano definitivo de controle, ainda em estudo.
A disputa jurídica decorre de uma Ação Civil Pública de 2025, que obriga o controle do búfalo asiático e prevê indenização de R$ 20 milhões para reflorestamento.
Leia mais
Aumento do rebanho de búfalos asiáticos é problema ambiental na Amazônia
Impacto ambiental
Os búfalos vivem sem monitoramento há mais de 50 anos em áreas de proteção como a Reserva Biológica Guaporé. Sem predadores naturais, eles ameaçam espécies locais, compactam o solo e alteram cursos d’água.
“É um ambiente único, com várias espécies endêmicas e a presença do búfalo vai levar à extinção de várias delas”, disse Wilhan Cândido, biólogo do ICMBio.
O ICMBio afirma que o abate é a única alternativa viável devido ao difícil acesso da região e à impossibilidade de aproveitar a carne para consumo humano.
Enquanto o pedido de suspensão é analisado, equipes da Universidade Federal de Rondônia (Unir) coletam material biológico dos animais abatidos para estudos sobre métodos de erradicação eficientes e menos impactantes.
Saiba mais em g1.
Foto: divulgação
