Câmara aprova projeto que inclui violência vicária na Lei Maria da Penha

Proposta do deputado federal Amom Mandel foi apensada ao texto que prevê pena de até 40 anos de prisão para agressor

Câmara aprova projeto que inclui violência vicária na Lei Maria da Penha

Publicado em: 20/03/2026 às 07:08 | Atualizado em: 20/03/2026 às 07:08

A Câmara dos Deputados aprovou na quarta-feira (18) o Projeto de Lei 3.880/2024, que inclui a violência vicária entre as formas de violência doméstica e familiar contra a mulher previstas na Lei Maria da Penha. A proposta foi aprovada na forma de substitutivo apresentado pela relatora, Silvye Alves (União-GO), e segue agora para análise do Senado Federal.

Com a votação em Plenário, a Casa também aprovou a redação final da matéria, formalizando o envio ao Senado, onde o texto ainda será discutido antes de eventual sanção.

Na prática, a proposta reconhece a violência vicária como uma estratégia em que o agressor atinge a mulher de forma indireta, utilizando filhos, familiares ou pessoas próximas como instrumento de dor, punição ou controle. Esse tipo de violência costuma surgir em contextos de separação, disputas de guarda e perseguições após o fim de relacionamentos.

O texto aprovado deixa claro que a prática não se limita a casos extremos, como mortes, mas inclui também agressões físicas e psicológicas contra terceiros com o objetivo de ferir a mulher.

Além disso, o projeto endurece o tratamento penal ao tipificar o homicídio vicário, com pena de 20 a 40 anos de reclusão, classificando-o como crime hediondo. O texto também prevê agravantes quando o crime for cometido na presença da mulher, contra crianças, idosos ou pessoas com deficiência, ou ainda em descumprimento de medida protetiva.

Durante o debate em Plenário, parlamentares citaram o caso de Itumbiara (GO), em que um homem matou os dois filhos para atingir emocionalmente a esposa antes de tirar a própria vida. O episódio foi apontado como exemplo emblemático desse tipo de violência, evidenciando um padrão de comportamento em que o agressor busca destruir emocionalmente a vítima por meio de quem ela mais ama.

A proposta também incorporou o conteúdo do Projeto de Lei 748/2026, de autoria do deputado Amom Mandel (Cidadania-AM), que tramitou apensado ao texto principal e reforçou o debate sobre a necessidade de punições mais rigorosas.

“A violência vicária é uma forma cruel de violência porque tenta atingir a mulher através de quem ela mais ama. Reconhecer isso na lei é um passo importante para dar nome ao problema e garantir punição adequada. Quem usa filhos ou familiares como instrumento de dor precisa responder com todo o rigor”, afirmou o parlamentar.

Segundo Amom Mandel, o mandato tem atuação contínua no enfrentamento da violência de gênero, com mais de 150 proposições legislativas voltadas ao tema, entre projetos, requerimentos e ações de fiscalização.

Foto: divulgação