Amom propõe facilitar porte de arma para mulheres vítimas de violência
Pacote com seis projetos também mira cultura “redpill”, conteúdo misógino nas redes e retirada imediata de armas de agressores
Publicado em: 11/03/2026 às 19:03 | Atualizado em: 11/03/2026 às 20:00
O deputado federal Amom Mandel apresentou na Câmara dos Deputados um pacote de seis projetos de lei voltados ao enfrentamento da violência contra a mulher. A proposta que mais chama atenção prevê prioridade e presunção de necessidade para análise de pedidos de aquisição, registro, posse e porte de arma de fogo por mulheres vítimas de violência doméstica.
Pelo texto, a condição poderá ser comprovada por medida protetiva de urgência ou pela existência de inquérito policial ou ação penal contra o agressor. O projeto estabelece prazo máximo de 30 dias para análise do pedido e mantém as exigências previstas no Estatuto do Desarmamento, como idoneidade, avaliação psicológica e capacidade técnica.
A iniciativa surge em meio a dados preocupantes. Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Brasil registrou 1.568 vítimas de feminicídio em 2025, alta de 4,7% em relação ao ano anterior. Parte desses casos ocorreu mesmo com medidas protetivas vigentes.
Além de facilitar o acesso à autodefesa para mulheres ameaçadas, o pacote também propõe que a autoridade policial possa suspender imediatamente a posse ou o porte de arma do agressor quando houver medida protetiva, com recolhimento do armamento e comunicação à Justiça.
Outro eixo das propostas busca combater a disseminação de misoginia e incentivo à violência contra mulheres na internet. Entre as medidas estão a tipificação penal da promoção de conteúdos misóginos que incentivem crimes, diretrizes de cooperação entre plataformas digitais e autoridades para remover esse material e mudanças no Marco Civil da Internet para exigir mecanismos mais rápidos e transparentes de denúncia.
O pacote também prevê a criação de uma política nacional de educação digital e campanhas de conscientização para prevenir assédio e discurso de ódio contra mulheres nas redes.
Segundo Amom, as propostas buscam reforçar a proteção às vítimas diante de um cenário em que muitas mulheres continuam sendo ameaçadas ou atacadas mesmo após recorrerem ao sistema de justiça previsto na Lei Maria da Penha.
Foto: Jessé Gomes/divulgação
