Crise no Oriente Médio: Governo aperta cerco contra alta dos combustíveis
Cade investiga se empresas usam o conflito internacional como justificativa para reajustes antecipados e possível prática anticoncorrencial no mercado.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 11/03/2026 às 09:34 | Atualizado em: 11/03/2026 às 09:34
O Ministério de Minas e Energia (MME) oficializou a criação de uma Sala de Monitoramento do Abastecimento para acompanhar, em tempo real, as oscilações do mercado de combustíveis.
A medida surge como uma resposta direta à instabilidade gerada pelo conflito no Oriente Médio e visa garantir que o cenário geopolítico não comprometa a logística e a oferta de derivados no Brasil. É que a região do conflito que detém cerca de 60% das reservas mundiais de petróleo.
Vigilância em duas frentes
Conforme a Agência Brasil, a iniciativa atua de forma articulada com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e principais agentes do setor para antecipar riscos.
Segundo o ministério, o foco é o “fornecimento primário e distribuição”, monitorando tanto as cadeias globais quanto a movimentação interna.
Embora o Brasil seja exportador de petróleo bruto e possua uma exposição direta limitada ao conflito (já que a importação de derivados do Golfo Pérsico é pequena), o governo reforçou a interlocução com importadores e produtores para preservar a segurança energética.
Alerta sobre preços e suposto abuso de mercado
Paralelamente à logística, o governo acendeu o sinal de alerta para o bolso do consumidor. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) acionou formalmente o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para investigar aumentos de preços registrados em quatro estados (BA, RN, MG, RS) e no Distrito Federal.
O movimento ocorre após sindicatos de postos relatarem que as distribuidoras elevaram os preços de venda alegando a alta internacional do barril. No entanto, o governo destaca um ponto crucial:
“Até o momento, a Petrobras não anunciou aumento nos preços praticados em suas refinarias.”
Diante dessa discrepância, o Cade deverá avaliar se há indícios de conduta comercial uniforme ou combinada (cartel) ou outras práticas que prejudiquem a livre concorrência, utilizando o conflito internacional como pretexto para reajustes antecipados e sem lastro na produção nacional.
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Foto: José Cruz/Agência Brasil
