Indústria brasileira reage e abre 2026 com maior alta em 18 Meses

Setor cresce 1,8% em janeiro impulsionado por produtos químicos e veículos, mas juros altos ainda limitam recuperação total das perdas de 2025.

Indústria brasileira reage e abre 2026 com maior alta em 18 Meses

Da Redação do BNC Amazonas*

Publicado em: 06/03/2026 às 10:04 | Atualizado em: 06/03/2026 às 10:04

A indústria brasileira iniciou o ano de 2026 com um fôlego renovado. Após fechar o último trimestre de 2025 no vermelho, a produção industrial avançou 1,8% na passagem de dezembro para janeiro, registrando o crescimento mais intenso desde junho de 2024.

Dessa maneira, os dados foram divulgados nesta sexta-feira (6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado positivo interrompe uma sequência negativa e coloca o setor 1,8% acima do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020).

No entanto, o otimismo é cauteloso: o índice ainda está 15,3% abaixo do pico histórico alcançado em maio de 2011.

Recuperação e o “efeito férias”

Segundo o gerente da Pesquisa Industrial Mensal (PIM), André Macedo, o salto de janeiro é, em parte, uma reação ao tombo de 1,9% registrado em dezembro. Naquele período, o setor foi afetado por um baixo dinamismo econômico e uma frequência atípica de férias coletivas.

“Com a retomada das atividades produtivas no início do ano, ocorre uma recuperação de parte dessa perda”, explica Macedo. Ele ressalta, porém, que o avanço atual não apaga o rastro deixado pelo final de 2025: o saldo do período de setembro a dezembro ainda permanece negativo em 0,8%.

Química e automóveis lideram a alta

O crescimento de janeiro foi marcado por um raro “espalhamento” de taxas positivas, atingindo 19 das 25 atividades pesquisadas. Os grandes protagonistas do mês foram:

  • Produtos químicos (6,2%): impulsionados pela demanda agrícola (fertilizantes e defensivos).
  • Veículos automotores (6,3%): com destaque para a produção de caminhões e autopeças.
  • Extrativa (1,2%) e metalurgia (4,1%): refletindo a movimentação de commodities e base industrial.

Entre as categorias econômicas, os bens de consumo duráveis saltaram 6,3%, tentando recuperar a queda severa de 7,7% acumulada no bimestre anterior.

O gargalo dos juros

Apesar dos números encorajadores, um vilão conhecido continua no radar: a política monetária restritiva. O setor de máquinas e equipamentos, essencial para o investimento e modernização das fábricas, recuou 6,7% no mês, acumulando uma perda de quase 12% em dois meses.

Macedo é direto ao correlacionar esse desempenho negativo às taxas de juros elevadas, que encarecem o crédito e freiam a compra de bens de capital. “O comportamento negativo do setor guarda relação com o movimento de aumento de taxas de juros”, afirma o gerente do IBGE.

Panorama geral da indústria (Janeiro/2026):

| Comparação | Resultado |

| Mensal (Jan 26 / Dez 25) | +1,8% |

| Anual (Jan 26 / Jan 25) | +0,2% |

| Em relação à pré-pandemia | +1,8% |

| Em relação ao recorde (2011) | -15,3% |

*Com informações da Agência Gov/Via IBGE.

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