Foguetório do crime se repete em Manaus, intimida cidadão e afronta Estado

Queima sincronizada de fogos volta a assustar moradores na noite e reforça sensação de impunidade e afronta

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 10/02/2026 às 19:47 | Atualizado em: 10/02/2026 às 20:06

Mais uma vez, moradores de Manaus foram surpreendidos pelo som de fogos de artifício disparados de forma sincronizada em diferentes zonas da cidade. O episódio registrado nesta noite de 10 de fevereiro repete um padrão já conhecido da capital e que, longe de qualquer celebração popular, é associado à atuação de facções criminosas.

Em ocorrências anteriores, amplamente noticiadas pelo BNC Amazonas, o chamado foguetório tem sido interpretado como sinalização de domínio territorial, comemoração de ações criminosas, chegada de carregamentos de drogas ou celebração de lideranças do crime.

A coordenação simultânea em vários bairros transforma o ato em mensagem clara de intimidação da população e demonstração de força diante do poder público.

A repetição desse ritual evidencia a ausência de ações preventivas eficazes. A resposta costuma se limitar a prisões posteriores de executores de baixo escalão, os chamados “fogueteiros”, o que não atinge a cadeia de comando nem impede que o gesto se repita.

O resultado é a consolidação da sensação de impunidade e de controle simbólico do território pelo crime organizado.

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Sobre o tema, o deputado estadual Dan Câmara, coronel da Polícia Militar, já classificou o foguetório como afronta direta à autoridade pública e à cidadania.

Com histórico de atuação na área de inteligência quando comandou a corporação, Dan Câmara tem defendido que esse tipo de ação não é improvisada, mas fruto de planejamento e articulação, o que exige resposta baseada em inteligência e antecipação, e não apenas repressão tardia.

A queima sincronizada de fogos pressupõe logística, comunicação prévia e organização territorial, elementos que deveriam ser detectados pelos sistemas de monitoramento do Estado.

A recorrência dos episódios levanta uma cobrança inevitável: por que esses sinais continuam passando ao largo dos serviços de inteligência da segurança pública?

Sem uma resposta institucional clara e preventiva, o foguetório segue cumprindo sua função simbólica mais grave: a de impor medo, normalizar a presença do crime organizado e reforçar a percepção de que, em determinados momentos, quem se impõe sobre a cidade não é o Estado, mas as facções.

Foto: reprodução/Redes Sociais