Com Marina Silva, Manaus discute energia limpa na Amazônia
Evento de dois dias reúne também ministro de Minas e Energia e Global Energy Alliance para avançar na transição energética da Amazônia
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 09/02/2026 às 18:54 | Atualizado em: 10/02/2026 às 14:47
Manaus recebe nesta terça-feira (10 de fevereiro) os ministros de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, para um evento que marca o anúncio de novos avanços do programa de energia limpa voltado à Amazônia. O workshop vai até quarta.
Nota de atualização
Da Redação
O Ministério do Meio Ambiente informou neste dia 10 de fevereiro que o gabinete da ministra Marina Silva não confirmou participação no workshop citado nesta reportagem. A informação publicada inicialmente constava na programação oficial enviada pela assessoria de imprensa da organização do evento, a Global Energy Alliance for People and Planet (GEAPP), e foi posteriormente corrigida:
A iniciativa é desenvolvida em parceria com a Global Energy Alliance e resulta de articulações iniciadas durante a COP-30.
O foco é acelerar a transição energética em regiões isoladas, ampliar o acesso à energia renovável e reduzir a dependência histórica de combustíveis fósseis na Amazônia, especialmente em comunidades fora do sistema interligado nacional.
A presença de Marina Silva confere densidade política e ambiental ao encontro.
Referência internacional na defesa da Amazônia, a ministra simboliza a tentativa do governo federal de alinhar políticas energéticas a compromissos climáticos e ambientais, em um contexto marcado por tensões recorrentes entre preservação ambiental e demandas por infraestrutura na região.
No Amazonas, por exemplo, esse debate ganhou relevo nos últimos anos em torno do asfaltamento da BR-319, tema que opõe interesses logísticos e alertas ambientais amplamente discutidos na esfera pública.
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Energia limpa como política ambiental estruturante
Mais do que um programa setorial, a agenda apresentada em Manaus se insere em uma estratégia mais ampla de política ambiental.
A transição energética aparece como instrumento para reduzir emissões, conter impactos ambientais associados ao uso de diesel em sistemas isolados e criar alternativas sustentáveis de desenvolvimento para populações ribeirinhas, indígenas e comunidades do interior da Amazônia.
Entre os eixos tratados no evento estão soluções para sistemas isolados, como geração solar descentralizada, micro-redes com armazenamento em baterias e modelos híbridos adaptados à realidade amazônica.
A programação também destaca o papel do financiamento internacional e de marcos regulatórios capazes de viabilizar projetos de energia limpa em áreas remotas, historicamente negligenciadas pelas políticas energéticas tradicionais.
Dimensão da transição energética
Outro ponto central é a dimensão social da transição energética. A proposta defendida no encontro associa acesso à energia limpa à melhoria de serviços básicos, estímulo à bioeconomia e geração de renda local, buscando evitar que a agenda ambiental se restrinja a compromissos formais sem efeitos concretos na vida das populações amazônicas.
A parceria com a Global Energy Alliance reforça o caráter internacional da iniciativa e conecta o Brasil a redes globais de financiamento climático e cooperação técnica.
Esse alinhamento, conforme a Global, consolidado a partir da COP-30, posiciona a Amazônia como território-chave na agenda climática global e testa a capacidade do país de transformar compromissos internacionais em políticas públicas efetivas no território.
Amazônia no centro do debate climático
Ao sediar o evento, Manaus volta a ocupar lugar central no debate sobre clima, energia e desenvolvimento sustentável.
A presença simultânea dos ministérios de Minas e Energia e do Meio Ambiente sinaliza a tentativa de integração entre agendas que, historicamente, caminharam de forma dissociada.
No contexto da Zona Franca de Manaus (ZFM), a discussão sobre energia limpa também dialoga com as exigências ambientais crescentes do mercado internacional e com a necessidade de garantir uma matriz energética mais sustentável para sustentar o modelo industrial amazônico no médio e longo prazo.
Pontos centrais do programa
– Transição energética em sistemas isolados e comunidades remotas
– Redução do uso de diesel e das emissões associadas
– Geração distribuída com fontes renováveis e armazenamento
– Integração entre política ambiental, energia e desenvolvimento regional
– Compromissos firmados a partir da COP-30 com apoio internacional
Com informações da assessoria de comunicação da Global Energy Alliance.
Foto: Felipe Werneck/MMA
