Garimpo na terra Yanomami cai 98,9% e chega a 50 hectares
Após os anos de omissão com Bolsonaro, ações federais reduzem a mineração ilegal a patamar residual na terra indígena.
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas*
Publicado em: 05/02/2026 às 11:14 | Atualizado em: 05/02/2026 às 11:16
O governo federal afirma ter reduzido em 98,9% a área ocupada por garimpo ilegal na terra indígena Yanomami, hoje limitada a cerca de 50 hectares, um patamar considerado residual diante da devastação registrada nos últimos anos.
O dado consta em balanço oficial divulgado pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.
Segundo o governo, o resultado decorre de operações contínuas de desintrusão, fiscalização e controle territorial, com atuação integrada de órgãos federais e presença permanente do Estado em uma das regiões mais pressionadas pelo crime ambiental no país.
A redução expressiva contrasta com o cenário recente de avanço descontrolado do garimpo ilegal, que alimentou uma crise humanitária entre os ianomâmis, marcada por mortes por desnutrição, malária, contaminação por mercúrio e violência associada à atividade criminosa.
Operação permanente, não ação pontual
Diferentemente de iniciativas episódicas do passado, a estratégia atual se apoia em monitoramento contínuo, bloqueio de rotas aéreas e fluviais, inutilização de pistas clandestinas e repressão à logística e ao financiamento do garimpo.
A avaliação oficial é de que os 50 hectares remanescentes não possuem escala operacional relevante.
Autoridades reconhecem, no entanto, que o resultado só se sustenta com vigilância constante, diante do histórico de retorno rápido do garimpo sempre que há afrouxamento da fiscalização.
Justiça, responsabilidade e reparação
A queda da atividade ilegal ocorre em paralelo a investigações que apuram crimes ambientais, violações de direitos humanos e responsabilidades institucionais pelo colapso sanitário vivido pelos ianomâmis.
Especialistas apontam que a redução do garimpo é apenas uma etapa, sendo indispensáveis políticas de reparação, recuperação ambiental e proteção permanente das comunidades.
O papel dos governos
Com Bolsonaro
- • Explosão do garimpo ilegal em terras indígenas
- • Área devastada chegou a milhares de hectares
- • Retirada prática do Estado da fiscalização territorial
- • Alertas ignorados por órgãos federais
- • Crise humanitária instalada entre os ianomâmis
- • Discurso oficial permissivo à mineração em terras indígenas
- • Ausência de estratégia consistente de desintrusão
Com Lula
- • Retomada da política de proteção territorial indígena
- • Operações permanentes de desintrusão e controle
- • Integração entre forças de segurança e órgãos ambientais
- • Bloqueio de rotas logísticas do garimpo
- • Redução de 98,9% da área minerada ilegalmente
- • Garimpo reduzido a cerca de 50 hectares, sem escala operacional
*Com informações do governo.
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Foto: divulgação/Força Nacional
