Ipaam aplica multa milionária pela expansão ilegal do aterro de Manaus

Fiscalização realizada após denúncia de Amom Mandel constata expansão sem licença e descumprimento de embargo ambiental

Publicado em: 03/02/2026 às 20:59 | Atualizado em: 03/02/2026 às 21:00

Uma fiscalização ambiental do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), realizada no aterro de resíduos sólidos urbanos da AM-10 (Km 19), resultou na lavratura de dois autos de infração contra a Prefeitura de Manaus, com multas que somam R$ 10.030.500,00. 

A expansão do aterro da AM-10 tem sido alvo de fiscalização intensa do deputado federal Amom Mandel, que foi pessoalmente ao local para ouvir moradores de comunidades instaladas em uma área de mata vizinha ao lixão e registrar, in loco, os impactos relatados pela população.

A partir dessas visitas e denúncias, o parlamentar acionou formalmente os órgãos de controle e responsabilização, encaminhando representações ao Ministério Público Federal, ao Ministério Público do Amazonas e ao Tribunal de Contas do Estado, cobrando apuração sobre a expansão da área, os riscos ambientais e as possíveis irregularidades associadas às obras e atividades no aterro.

Em novembro, a fiscalização acionada pelo Ministério Público de Contas constatou as várias irregularidades.  O cenário era de expansão do aterro no chamado “puxadinho” do lixão, sem licenciamento ambiental e com descumprimento de embargo administrativo que já vigorava desde 2023.

O relatório técnico de fiscalização 799/2025-Ipaam revela um desrespeito continuado às ordens administrativas e crimes ambientais no aterro sanitário de Manaus.

Leia mais

TCE-AM abre processo sobre irregularidades em novo aterro de Manaus

Obras à revelia da lei

Durante inspeção in loco realizada em 19 de novembro de 2025, técnicos do Ipaam, acompanhados pelo Batalhão Ambiental da Polícia Militar, constataram que a Prefeitura de Manaus não apenas ignorou o embargo vigente, como acelerou a expansão ilegal da área de descarte. No local, a fiscalização registrou quatro pontos centrais:

1.⁠ ⁠Descumprimento de embargo (continuidade de obra/atividade na área interditada);
2.⁠ ⁠Expansão ilegal do aterro em área anexa;
3.⁠ ⁠Ausência total de licenciamento ambiental — sem licença prévia, licença de instalação ou qualquer processo em trâmite que autorizasse a expansão;
4.⁠ ⁠Inexistência de estudos ambientais — sem registro de EIA/Rima aprovado para a ampliação

O relatório também ressalta que, pela natureza da atividade (expansão de aterro), há alto potencial poluidor, com riscos de contaminação do solo e lençol freático, poluição de corpos hídricos, passivo ambiental e ameaça direta à saúde pública das populações do entorno.

Multas milionárias

Diferente de uma penalidade única, o Ipaam identificou duas infrações autônomas e graves, gerando dois autos de infração distintos. O primeiro na execução de obra sem licença (AIN-25.11.21-134943P-IPAAM): lavrado em 21/11/2025, penaliza a expansão física do aterro sem autorização legal. Valor: R$ 5.010.500,00. O segundo pelo descumprimento de embargo (AIN-25.12.22-085937M-IPAAM): Lavrado em 22/12/2025, refere-se à continuidade das atividades em área que já estava interditada pelo termo de embargo 1/2023-GERM. Valor: R$ 5.020.000,00.

Próximos passos

Além das multas, o Ipaam emitiu um novo termo de embargo e interdição (TEI-25.12.23-112929E-IPAAM), abrangendo tanto a área original quanto a expansão ilegal. Considerando gravidade, reincidência, desrespeito a ato administrativo e risco ambiental e à saúde pública, o caso foi encaminhado ao Ministério Público do Amazonas (MP-AM) para a adoção de medidas judiciais pertinentes e apuração de responsabilidade civil e criminal.

O município de Manaus tem o prazo de 20 dias para recolher o valor das multas ou apresentar sua defesa administrativa.

Para Mandel, a atuação da prefeitura municipal no caso representa “um exemplo flagrante de desprezo pela legislação ambiental e pelas instituições de controle”. O deputado já havia alertado em diversas ocasiões para a urgência de atuação no local, onde há relatos de mau cheiro, degradação ambiental e insegurança para a população do entorno.

“O que vimos foi a repetição de práticas irregulares que não só violam a lei, mas também expõem a população a riscos ambientais e de saúde pública. Não podemos admitir que a Prefeitura de Manaus atue à margem da legalidade”, afirmou.

O caso levanta ainda um debate mais amplo sobre a gestão de resíduos sólidos em Manaus, cidade que enfrenta desafios históricos na área de saneamento e destinação adequada do lixo.

O parlamentar cobra providências do Ministério Público e de órgãos ambientais para garantir que as determinações legais sejam cumpridas e que a cidade adote políticas sustentáveis e transparentes.

Foto: Dhyeizo Lemos/Semcom