Inmetro reage a vídeo do dono da Havan e diz que fiscalização foi politizada
Instituto afirma que ação técnica foi distorcida para criar narrativa ideológica e reforça que fiscalização segue critérios legais há 50 anos
Da redação do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 03/02/2026 às 12:37 | Atualizado em: 03/02/2026 às 13:55
Um vídeo publicado nas redes sociais pelo empresário Luciano Hang, proprietário da rede Havan, vem gerando forte repercussão política após criticar uma ação de fiscalização do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) em lojas da rede em São Paulo.
As imagens mostram agentes do Inmetro recolhendo produtos e se referem à apreensão de 13 unidades, número que na narrativa de Hang foi associado de forma implícita ao Partido dos Trabalhadores (PT).
No vídeo, que circula amplamente no Instagram, Hang afirma que fiscais do Inmetro estariam “abusando do poder” e praticando uma ação arbitrária contra seus estabelecimentos, chegando a destacar a coleta de 13 itens como se houvesse uma motivação política por trás da operação.
O conteúdo viralizou rapidamente e alimentou um discurso de que órgãos públicos estariam sendo usados de forma “politizada” contra grupos econômicos ou ideológicos específicos.
A menção ao número 13, associado à sigla do PT, foi repetida em diversos posts e comentários de apoiadores da direita bolsonarista, reforçando a narrativa de conotação política.
Caráter técnico da fiscalização
Em resposta oficial, o Inmetro divulgou uma nota de esclarecimento nesta segunda-feira (2 de fevereiro), afirmando que o episódio retratado no vídeo nada tem de político ou ideológico. E que a ação representa apenas o cumprimento de procedimentos técnicos previstos na legislação metrológica vigente.
O instituto lembrou que, em seus 52 anos de atuação, fiscaliza relações comerciais e industriais em todo o país com base em normas técnicas, como parte do sistema de metrologia legal, cujo objetivo é proteger o consumidor e garantir a concorrência leal.
13 itens expostos
Segundo a nota de esclarecimento, essas ações são padronizadas e previstas em legislações específicas e não decisões discricionárias de fiscais isolados.
O Inmetro também explicou que a coleta de amostras de produtos ocorre conforme critérios técnicos definidos pelas próprias normas. E, no caso específico da operação mencionada no vídeo, a coleta de 13 unidades ocorreu porque esse era o número de itens expostos na loja, de acordo com a regulamentação aplicável.
Defesa do consumidor
Além disso, a autarquia reforça que tanto consumidores quanto empresas podem encaminhar denúncias e opiniões por meio dos canais oficiais do instituto, incluindo a ouvidoria.
O objetivo, segundo o órgão, é fortalecer a fiscalização e a transparência institucional, e não perseguir qualquer grupo ou segmento econômico.
Nota oficial do Inmetro na íntegra
O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) vem a público esclarecer o vídeo divulgado em redes sociais na noite do último domingo (01/02/2026), que trata de procedimentos de fiscalização de produtos pré-medidos, ou seja, produtos embalados e comercializados na ausência do consumidor.
Há 52 anos, o Inmetro atua na proteção do consumidor e na garantia da concorrência leal, com ações que seguem rigorosamente a regulamentação metrológica vigente e são executadas de forma padronizada em todo o país pela Rede Brasileira de Metrologia Legal e Qualidade do Inmetro (RBMLQ-I).
Em relação ao número de amostras coletadas pelos órgãos estaduais que executam as fiscalizações, esclarece-se que não se trata de escolha aleatória, mas de procedimento técnico previsto na regulamentação de produtos pré-medidos, baseado em critérios estatísticos utilizados na metrologia legal. No caso específico, foi coletada uma amostra de 13 unidades, que corresponde ao tamanho do lote exposto no estabelecimento.
O vídeo circulado nas redes sociais, a priori, não evidencia qualquer irregularidade na atuação dos agentes fiscais, demonstrando apenas o cumprimento dos procedimentos técnicos previstos na regulamentação vigente em todo o país, não tendo nenhuma relação com questões políticas ou ideológicas.
O Inmetro reforça que tanto os consumidores quanto o setor produtivo podem encaminhar denúncias e manifestações por meio de seus canais oficiais.
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Foto: divulgação
