8 de Janeiro: mineiro pede Bolsonaro solto, STF dá 14 anos de prisão a mineira

Minas Gerais aparece nos dois extremos dos desdobramentos do 8 de Janeiro: enquanto um cidadão pede a libertação de Bolsonaro, outra mineira é condenada pelo STF a 14 anos de prisão por participação direta nos atos contra a democracia.

8 de Janeiro: mineiro pede Bolsonaro solto, STF dá 14 anos de prisão a mineira

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 27/01/2026 às 09:17 | Atualizado em: 27/01/2026 às 09:20

Dois episódios distintos envolvendo cidadãos de Minas Gerais ganharam repercussão nacional nesta semana e voltaram a acender o debate sobre os desdobramentos jurídicos e políticos dos atos de 8 de janeiro de 2023.

De um lado, um mineiro foi às redes sociais e a manifestações públicas pedir a libertação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), investigado em diferentes frentes no Supremo Tribunal Federal (STF) por suposta participação e estímulo aos ataques às sedes dos Três Poderes, em Brasília.

O ato, embora simbólico, reflete a mobilização de apoiadores que continuam defendendo o ex-mandatário e questionando as decisões do Judiciário.

No sentido oposto, outra cidadã mineira teve um desfecho bem mais severo. O STF condenou a mulher a 14 anos de prisão por participação direta nos ataques de 8 de janeiro, após ficar comprovado que ela esteve nos prédios invadidos e contribuiu para os atos de vandalismo e depredação do patrimônio público.

A pena inclui crimes como abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e associação criminosa.

Segundo o Supremo, a condenação faz parte de um conjunto de decisões que buscam responsabilizar individualmente os envolvidos nos ataques, considerados uma tentativa de ruptura institucional. Até o momento, centenas de réus já foram julgados, com penas que variam conforme o grau de envolvimento de cada acusado.

A comparação entre os dois casos evidencia o contraste entre o discurso político e a realidade judicial. Enquanto parte da militância ainda defende a inocência de lideranças e pede anistia ou libertação de Bolsonaro, o STF mantém uma linha dura de punição aos participantes dos atos, reforçando a tese de que não haverá tolerância com ações que atentem contra a democracia.

Especialistas em direito constitucional apontam que os julgamentos têm um caráter pedagógico e simbólico, ao demonstrar que a liberdade de expressão não se confunde com atos de violência ou tentativa de golpe.

Para eles, a diferença entre pedir a soltura de um líder político e efetivamente participar da destruição de prédios públicos é central para entender por que as consequências jurídicas são tão distintas.

Assim sendo, os dois mineiros acabam representando polos opostos de um mesmo episódio histórico: de um lado, a persistência da polarização política; de outro, a consolidação de decisões judiciais que devem marcar, por décadas, a memória institucional do país sobre o 8 de Janeiro.

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