Projeto de italianos para extrair madeira em Carauari, AM é travado pelo MPF
Iniciativa que combina manejo florestal e créditos de carbono enfrenta denúncias de comunidades e investigação do Ministério Público Federal.
Publicado em: 27/01/2026 às 08:57 | Atualizado em: 27/01/2026 às 09:07
Um projeto de manejo florestal e geração de créditos de carbono no interior do Amazonas entrou no radar do Ministério Público Federal (MPF) após denúncias de comunidades tradicionais sobre falta de consulta prévia e conflitos territoriais.
O caso envolve o Projeto Mejuruá, desenvolvido em uma área de cerca de 900 mil hectares no município de Carauari. A iniciativa combina extração seletiva de madeira e conservação ambiental, com previsão de operação por até 30 anos.
Em 2024, o MPF abriu inquérito para apurar suspeitas de violações, incluindo sobreposição entre a área do projeto e territórios ocupados por ribeirinhos. O órgão também apontou falhas na auditoria e recomendou a suspensão das atividades até a regularização fundiária.
A empresa responsável, BR Arbo Gestão Florestal, afirma que o projeto é legal, ocorre em terras privadas e busca manter a floresta em pé. Segundo a companhia, a proposta inclui benefícios sociais e participação das comunidades locais.
Moradores, porém, contestam a versão empresarial. Parte da comunidade do Riozinho afirma que não foi consultada, como exige a Convenção 169 da OIT. Lideranças locais relatam insegurança sobre a posse da terra e impactos do projeto na vida tradicional.
Após meses de suspensão, decisões administrativas permitiram a retomada da iniciativa, mas o debate sobre regularização fundiária, direitos comunitários e mercado de carbono segue aberto. O caso expõe as tensões entre conservação ambiental, interesses econômicos e direitos territoriais na Amazônia.
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Foto: divulgação
