Como EUA de Trump ampliam crimes ambientais na Amazônia
Madeiras nobres são usadas em hotéis de luxo também na Europa.
Publicado em: 26/01/2026 às 10:17 | Atualizado em: 26/01/2026 às 10:18
Deck de hotel de luxo e calçadão europeu podem ter começado como toras retiradas ilegalmente da floresta amazônica, segundo um novo relatório da organização Environmental Investigation Agency (EIA).
O estudo “Contrabandistas, Corretores e Compradores”, divulgado na terça-feira (20), descreve como madeira de alto valor, como Ipê e Cumaru, extraída no Pará, pode ter sido inserida no comércio internacional por meio de um esquema de “lavagem” documental.
A investigação analisou documentos de transporte de mais de 25 mil metros cúbicos de madeira, com origem em áreas que tinham autorização para retirada, mas apresentaram indícios de irregularidades.
Segundo o relatório, 11 serrarias forneceram madeira para exportadores, que enviaram o material a importadores nos Estados Unidos, Portugal, França e Alemanha.
Entre os casos citados, a EIA aponta que uma empresa do grupo Global Forest Lumber Company teria fornecido Ipê para obras em unidades das redes Marriott e Hyatt, na Flórida, além da área VIP do Grand Prix de Fórmula 1 em Miami, em 2023 e 2025.
A Repórter Brasil informou que procurou Marriott, Hyatt e a assessoria da Fórmula 1, mas não recebeu resposta até o fechamento da reportagem.
Madeira ligada a território indígena
O relatório também cita a Terra Indígena Munduruku, onde a EIA afirma ter identificado extração ilegal entre 2023 e 2024, com abertura de estradas e suspeita de envio de toras para fora da região.
Para a organização, o problema se agrava porque madeira retirada de áreas não autorizadas pode ganhar aparência de legalidade ao circular com documentos emitidos a partir de áreas formalmente licenciadas.
Caso Odila e suspeita de fraudes
Um dos exemplos apresentados envolve a Fazenda Odila, em Óbidos (PA), que recebeu autorização para extração de 16,9 mil metros cúbicos. No entanto, ao analisar imagens de satélite, a EIA afirma não ter identificado sinais compatíveis com exploração em escala industrial.
A organização defende mudanças no sistema, com rastreabilidade em tempo real e maior transparência de dados, além de aplicação mais rígida de regras internacionais para bloquear madeira ilegal no comércio global.
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Foto: Isac Nóbrega/PR
