OAB defende mandato a ministros do STF e limite a decisão monocrática
Sentimento de reforma no Judiciário ocorre após escândalo do grupo Master, que atinge também o ministro Dias Toffoli, do STF
Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 26/01/2026 às 09:23 | Atualizado em: 26/01/2026 às 09:24
O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, defendeu publicamente a abertura de um debate estrutural sobre a reforma do Judiciário brasileiro.
Suas propostas incluem mandatos fixos para ministros de tribunais superiores, limites às decisões monocráticas e a adoção de regras mais claras de conduta institucional.
Em artigo no jornal O Estado de S. Paulo, Simonetti sustenta que a credibilidade da Justiça não será fortalecida por “proibições amplas e inconstitucionais”, mas por “regras claras, proporcionais e aplicáveis a situações concretas”.
Para ele, mudanças estruturais são necessárias. Isso, defendem e amplia a previsibilidade, a eficiência e a confiança pública no sistema judicial.
Entre as medidas que sugere, a OAB apoia a fixação de mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Simonetti cita proposta de 2009 que estabelece mandato de 11 anos, sem recondução.
O objetivo, segundo o dirigente, é alinhar o Judiciário brasileiro a práticas adotadas em democracias consolidadas e reduzir a personalização excessiva do poder nas cortes superiores.
O presidente da entidade também propõe limites às decisões monocráticas — quando um único magistrado decide temas de grande impacto — e a adoção de um código de conduta institucional.
Simonetti argumenta que tais medidas não representam desconfiança em relação aos juízes, mas sim mecanismos de governança e transparência.
“O aperfeiçoamento do sistema de Justiça exige equilíbrio”, escreve, criticando soluções simbólicas ou juridicamente frágeis, que, segundo ele, produzem “aplausos momentâneos”, mas geram insegurança institucional no longo prazo.
Simonetti afirma que o debate deve ocorrer de forma técnica, despolitizada e com a participação de todos os atores do sistema de Justiça, especialmente a advocacia, que vivencia os impactos diretos das falhas do Judiciário.
Para a OAB, a reforma é condição necessária para fortalecer a legitimidade das decisões judiciais e aproximar o sistema das demandas da sociedade.
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Foto: divulgação
