Indígenas cobram apuração de morte após tiros do Exército no Amazonas

Relatos de lideranças indígenas indicam que ao menos 54 disparos foram efetuados por militares em área da Terra Indígena Alto Rio Negro, no noroeste do Amazonas

Publicado em: 23/01/2026 às 18:59 | Atualizado em: 23/01/2026 às 19:48

Um tiroteio envolvendo militares do Exército brasileiro e supostos narcotraficantes, ocorrido na noite de 8 de janeiro no rio Papuri, na fronteira entre Brasil e Colômbia, levou indígenas do povo hupda — de recente contato — a pedirem investigação sobre a morte de um jovem e o ferimento de outro.

Relatos apresentados em reuniões com lideranças indígenas indicam que ao menos 54 disparos foram efetuados por militares do 1º Pelotão Especial de Fronteira (1º PEF), em área da Terra Indígena Alto Rio Negro, no noroeste do Amazonas. Cápsulas recolhidas no local foram entregues a equipes responsáveis pela apuração, segundo informações divulgadas pelo site Sumaúma.

Após o episódio, um indígena hupda foi encontrado ferido por arma de fogo na margem do rio, e, no dia seguinte, Sandro Barreto Andrade, de 19 anos, foi localizado morto por moradores de comunidades próximas. Testemunhos apontam que quatro hupdas pescavam na região no momento dos disparos e que dois deles teriam sido atingidos por tiros vindos do lado brasileiro.

O Exército nega responsabilidade pelas vítimas e afirma que os disparos foram uma reação em legítima defesa durante patrulhamento de rotina, após ataque de embarcações que trafegavam no sentido Colômbia–Brasil.

Organizações indígenas, como a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), preparam relatório para envio à Funai e ao Ministério Público, solicitando investigação. A Funai e o Ministério da Saúde lamentaram a morte do jovem e informaram que prestam assistência às comunidades; o indígena ferido foi transferido para Manaus e está em condição estável.

O Comando Militar da Amazônia afirma colaborar para esclarecer os fatos e destaca a atuação do Exército na região, que concentra uma das áreas mais preservadas da Amazônia e abriga milhares de indígenas de 23 etnias.

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Foto: Ministério da Defesa/divulgação