Lixo plástico contamina peixes sem fiscalização nos rios do Amazonas
Estudos identificam resíduos em pescados e alertam para riscos à saúde humana; órgãos federais admitem ausência de operações específicas.
Publicado em: 22/01/2026 às 10:05 | Atualizado em: 22/01/2026 às 10:06
O lixo plástico já circula pelos rios do Amazonas e aparece dentro dos peixes consumidos pela população. Pesquisas apontam a presença crescente de resíduos e microplásticos na região, com impactos sobre a fauna e sinais de risco também para a saúde humana.
Em 2023, um estudo do Instituto Mamirauá encontrou plástico no intestino de seis espécies de peixes no Amazonas. Entre os pescados analisados estavam tambaqui, jaraqui e pacu, todos comuns na mesa do amazonense.
A equipe avaliou peixes vendidos no mercado municipal de Tefé, no interior do estado. Nos 336 exemplares examinados, o estudo identificou 34 partículas em forma de fragmentos e filamentos. Sacola, linha de pesca e isopor apareceram entre os materiais encontrados.
O alerta ganhou outro patamar em setembro de 2025. Um estudo coordenado pelo Laboratório de Modelagem em Estatística, Geoprocessamento e Epidemiologia (Legepi), do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), em parceria com o Instituto Mamirauá, indicou que o problema não se limita aos ambientes aquáticos.
Segundo os pesquisadores, populações ribeirinhas e indígenas podem estar expostas diariamente a toneladas de lixo flutuante. Ou seja, o plástico deixa de ser apenas um dano ambiental e passa a se tornar um risco direto no cotidiano de quem vive dos rios.
Apesar desse cenário, o Governo Federal não realizou nenhuma operação de fiscalização ambiental voltada especificamente ao combate ao descarte irregular de plásticos nos rios do Amazonas entre 2020 e 2025. A admissão é do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
No ofício, além do MMA, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) reconhecem falta de ações e um “apagão” de dados sobre poluição plástica na Amazônia.
O Ibama informou que suas fiscalizações relacionadas a resíduos sólidos se concentraram principalmente em portos e aeroportos. Ao consultar sua base de dados, o órgão encontrou apenas três autos de infração isolados em 2023 com possível ligação ao descarte de resíduos no bioma.
Já o ICMBio afirmou que não possui registro oficial de estudos próprios capazes de apontar quais espécies sofrem impacto direto da poluição plástica.
O MMA justificou a ausência de operações ao afirmar que a gestão de resíduos sólidos e a limpeza urbana são responsabilidades dos municípios. Ainda assim, citou como avanços decretos publicados em outubro de 2025, incluindo um sistema de logística reversa de embalagens plásticas e a Estratégia Nacional de Combate à Poluição Plástica.
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Foto: divulgação
