Estudo alerta para tragédia biológica com asfaltamento da BR-319
Pesquisa com participação da Ufam e da Fapeam aponta que a pavimentação do trecho do meio pode expor populações a microrganismos desconhecidos.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 16/01/2026 às 10:17 | Atualizado em: 16/01/2026 às 10:19
Um estudo científico divulgado nesta segunda-feira (12 de janeiro) alerta que o asfaltamento do chamado trecho do meio da BR-319, entre Porto Velho e Manaus, pode representar um risco sanitário relevante para a Amazônia e para o país.
A pesquisa indica que a abertura da rodovia pode colocar a população em contato com linhagens isoladas de vírus e bactérias com potencial patogênico ainda pouco conhecido.
A nota técnica se baseia no sequenciamento genômico de amostras de solo coletadas ao longo da rodovia e identifica reservatórios de microrganismos não descritos pela ciência, chamados de “matéria escura microbiana”.
Segundo os cientistas, esses reservatórios apresentam genes associados à virulência e à capacidade de causar doenças.
O estudo reúne pesquisadores de 13 instituições de pesquisa, com participação de instituições do Amazonas, como a Universidade Federal (Ufam) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Fapeam), além de universidades, como a de São Paulo (USP) e a Unesp.
A pesquisa é financiada pelo CNPq, pela Fapesp e pela Fapeam desde 2023.
As amostras foram coletadas em 61 pontos ao longo da BR-319, incluindo áreas de floresta primária e regiões próximas a projetos de mineração em Autazes, no Amazonas.
Parte do processamento foi realizada em laboratórios da Ufam, reforçando o papel da ciência produzida no estado.
Segundo o alerta, a intensificação da presença humana associada à pavimentação da rodovia pode romper o isolamento desses microrganismos, elevando o risco de emergência de novos agentes infecciosos.
O estudo destaca ainda que a Amazônia carece de estrutura institucional e epidemiológica suficiente para responder rapidamente a esse tipo de ameaça.
A nota técnica foi encaminhada ao Ministério Público Federal e ao Ministério do Meio Ambiente.
Diante dos resultados, os cientistas recomendam que o trecho do meio da BR-319 não seja asfaltado, considerando os riscos à saúde pública.
Leia a matéria completa no site da Folha de S.Paulo.
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Foto: Dnit
