PM quer implantar livro próprio em escolas públicas do Amazonas
Proposta de material didático exclusivo reacende debate jurídico e pedagógico no ensino público estadual
Da Redação do BNC Amazonas*
Publicado em: 15/01/2026 às 16:48 | Atualizado em: 15/01/2026 às 16:48
Às vésperas do início do ano letivo, o modelo das escolas geridas pela Polícia Militar do Amazonas voltou ao debate após reunião entre gestores dessas unidades e o Ministério Público do Amazonas (MP-AM).
Entre os pontos discutidos está a adoção de material didático próprio, diferente da grade curricular comum adotada pelo restante da rede pública estadual.
O encontro foi conduzido pela promotoria especializada em educação do MP e reconheceu a existência de controvérsias jurídicas e administrativas envolvendo as escolas militarizadas, especialmente quanto ao ingresso por processo seletivo e à diferenciação pedagógica dentro do ensino público.
Gestores das escolas da PM afirmaram possuir decisões judiciais que autorizam o uso de livro didático próprio.
Ilha fora do arquipélago
O ponto central do debate, porém, é se a educação pública pode admitir modelos que destoem da base comum, criando distinções internas em um sistema que deve ser universal e igualitário.
O Amazonas ocupa posições modestas nos rankings nacionais de educação, e não há evidência de que escolas militarizadas apresentem desempenho significativamente superior ao restante da rede.
Especialistas alertam que a promessa de excelência não pode justificar a criação de uma espécie de elite educacional financiada com recursos públicos.
Ensino é público e universal
Outro ponto sensível é o tratamento desigual. Caso o estado opte por manter escolas sob gestão militar, deve assegurar que todas as unidades da rede recebam o mesmo nível de investimento em infraestrutura, professores e material pedagógico, evitando ilhas de privilégio em um sistema já marcado por desigualdades.
A atuação do Ministério Público indica que a militarização do ensino segue longe de ser consenso.
Para as famílias, o debate serve de alerta sobre os rumos da educação pública no Amazonas e a necessidade de garantir que qualquer modelo adotado respeite o princípio constitucional da universalização do ensino.
*Com informações do MP.
Foto: Hirailton Gomes/MP
