Sonho vira pesadelo: mulher vende passagens aéreas fakes em Manaus
Veja vídeo em que a dona da empresa detalha como praticava as fraudes. E diz que não tem como devolver o dinheiro.
Adríssia Pinheiro, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 12/01/2026 às 14:08 | Atualizado em: 12/01/2026 às 14:13
O que começou como propaganda de viagens terminou em denúncias, frustração e prejuízo. Pelo menos 50 famílias relatam ter sido lesadas após comprar passagens da FC Turismo, em Manaus, vendidas por Carolina Pessoa (conhecida por Carol).
Conforme a própria acusada, o tombo na praça seria superior a R$ 60 mil. Contudo, conforme as denúncias vão aparecendo, essa conta deve ser bem mais alta.
Ao BNC Amazonas, pelo menos dois grandes grupos familiares já relataram ter sido enganados pela denunciada.
“Compramos passagens, 18 bilhetes, pagamos em 06 parcelas no boleto, quando terminamos de pagar pra viajar agora final de janeiro ela disse que teve a conta dela bloqueada pela Vai Voando, ela é franqueada.”
Outro grupo, de 15 pessoas, descobriu que caiu no golpe dos bilhetes fakes na hora do embarque.
De acordo com as vítimas de Carolina, ainda vão aparecer muitos casos porque esses dois últimos são de agora, do Ano Novo.
Nos últimos dias, comentários se agravaram nas redes sociais, com relatos de pagamentos via pix e cartão, reservas inexistentes e falta de resposta.
Após a repercussão, os perfis da empresa e dos donos foram desativados.
Clientes afirmam que pagaram pelas passagens, mas o dinheiro não teria sido repassado às companhias aéreas.
Assim, viagens planejadas há meses viraram cancelamentos de última hora.
Uma consumidora relata que pagou passagens para Florianópolis, depois Fortaleza, e ficou sem viajar.
“Já chorei tanto, alugamos carros, hotel, Beach Park. E não vamos ter nossa viagem”.
Outro comentário aponta passagens compradas para janeiro e ausência total de retorno.
“Mando msg e ela não responde”.
Há relatos ainda mais sensíveis. Uma família afirma que planejava rever parentes após cinco anos.
“A igreja doou as passagens, pagaram no cartão, e descobrimos agora que não existe nada”.




Sonho acaba na polícia
Segundo os comentários, boletins de ocorrência já foram registrados na polícia e há acionamento da Justiça.
A crise ganhou novo capítulo após a divulgação de vídeos gravados dentro da casa da empresária por pessoas que supostamente seriam suas vítimas.
As imagens mostram um imóvel amplo, com conforto e padrão elevado, enquanto clientes cobram explicações.
Confissão do golpe
Durante a gravação, Carolina Pessoa, dona da empresa, admite que não repassou os valores recebidos à agência de viagens para emissão dos bilhetes.
“Todos os pagamentos viraram capital de giro [dos seus negócios”, afirma Carol em um dos vídeos.
Ela ainda tenta normalizar a prática.
“Isso é comum. É assim que funciona”, diz, ao explicar às suas vítimas que valores de novos clientes cobriam viagens anteriores.
Clientes contestam imediatamente. “Não é normal”, reage uma mulher no vídeo.
Em outro trecho, Carolina afirma categoricamente que não vai dar solução às pessoas que enganou.
“Eu sei que vocês querem embarcar de qualquer forma, mas isso não vai acontecer”.
Marido se isenta
O marido, Fabiano Santos, aparece no vídeo, mas se afasta da responsabilidade e joga tudo para Carolina.
“Eu não vou participar não. Desta vez tu vai ficar aí sozinha”.
A postura chama atenção porque Fabiano também aparece em materiais de divulgação da empresa, ao lado de Carolina, como rosto do negócio.
No vídeo, outro detalhe intriga: apesar da cobrança, o tom das abordagens é contido. Mas, há relatos de ameaças, constrangimento e sensação de intimidação durante as tentativas de diálogo.
O lema da empresa dizia: “Não vendemos passagens, realizamos sonhos”. Para dezenas de clientes, porém, o sonho terminou em prejuízo, silêncio e incerteza.
Defesa do consumidor
Essa conduta, conforme o Código de Defesa do Consumidor (CDC), pode caracterizar descumprimento de oferta, falha grave na prestação do serviço e vantagem ilícita.
Nesses casos, a responsabilidade é objetiva, ou seja, independe de culpa. A reparação deve ser integral, com devolução do dinheiro, correção monetária e possível indenização por danos morais e materiais.
Além da esfera cível, os relatos apontam possível repercussão criminal, caso fique comprovado que houve intenção de enganar.
O BNC Amazonas tentou contato com o casal, mas até a última atualização desta reportagem não obteve resposta.
Leia mais
Conheça o Boeing VIP e exclusivo para executivos da Zona Franca de Manaus
Foto: reprodução/vídeo
