Brasil volta a ter inflação de antes do mandato de Bolsonaro

O resultado ficou 0,57 ponto percentual abaixo da inflação de 2024 (4,83%) e dentro do teto da meta de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional

Brasil volta a ter inflação de antes do mandato de Bolsonaro

Publicado em: 09/01/2026 às 19:44 | Atualizado em: 09/01/2026 às 19:48

O Brasil voltou a registrar, em 2025, níveis de inflação semelhantes aos observados antes do governo Jair Bolsonaro, ao encerrar o ano com IPCA de 4,26%, o menor índice desde 2018 e abaixo do teto da meta oficial. 

O resultado divulgado nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indica desaceleração consistente dos preços em relação a 2024 e coloca a inflação brasileira entre as cinco menores dos últimos 31 anos, o que reflete a redução da pressão sobre alimentos e a manutenção do índice dentro dos parâmetros definidos pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Conforme os dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o registro ficou 0,57 ponto percentual abaixo da inflação de 2024 (4,83%) e dentro do teto da meta de 4,5% estabelecida pelo CMN. Desde o Plano Real, apenas 1998, 2006, 2017 e 2018 registraram índices menores.

Em dezembro, o IPCA foi de 0,33%, acima do registrado em novembro (0,18%), mas abaixo do observado em dezembro de 2024 (0,52%).

O principal fator de desaceleração da inflação em 2025 foi o grupo alimentação e bebidas, que passou de 7,69% em 2024 para 2,95%, com destaque para a alimentação no domicílio, que caiu de 8,23% para 1,43% no ano. Entre junho e novembro, os preços desse subgrupo acumularam queda de 2,69%.

Por outro lado, a energia elétrica residencial foi o item de maior impacto individual no índice, com alta acumulada de 12,31%, contribuindo com 0,48 ponto percentual para o resultado anual. Também pressionaram a inflação os preços de cursos regulares, planos de saúde, aluguel residencial e lanches.

O grupo habitação teve o maior impacto no IPCA de 2025, com alta de 6,79% e contribuição de 1,02 ponto percentual, seguido por saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais e educação. Esses quatro grupos responderam por cerca de 64% da inflação do ano.

O IPCA mede a variação do custo de vida de famílias com renda entre um e 40 salários mínimos, com coleta de preços em dez regiões metropolitanas, no Distrito Federal e em capitais das cinco regiões do país.

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil