Manaus entre capitais que fecharam 2025 com queda no valor da cesta básica

Capital amazonense registrou queda de 1,43% em dezembro e acompanhou movimento de alívio no Norte, enquanto a maioria das capitais do país teve alta no custo dos alimentos básicos.

Manaus entre capitais que fecharam 2025 com queda no valor da cesta básica

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 09/01/2026 às 11:00 | Atualizado em: 09/01/2026 às 11:02

Manaus encerrou 2025 em um grupo restrito de capitais brasileiras onde o custo da cesta básica apresentou recuo no último mês do ano, conforme a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos.

O levantamento foi divulgado nesta quinta-feira (8) pelo Dieese em parceria com a Conab, o valor da cesta caiu 1,43% na capital amazonense entre novembro e dezembro, acompanhando uma tendência concentrada principalmente na Região Norte.

Enquanto 17 capitais registraram aumento no período, apenas nove tiveram redução e uma permaneceu estável. No Norte, as quedas foram mais expressivas, com destaque para Porto Velho (-3,60%), Boa Vista (-2,55%), Rio Branco (-1,54%) e Manaus (-1,43%), indicando um alívio pontual no orçamento das famílias da região no fim do ano.

Em contraste, as maiores altas foram observadas em capitais do Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste, como Maceió (3,19%), Belo Horizonte (1,58%), Salvador (1,55%) e Brasília (1,54%). Em João Pessoa, o custo da cesta básica permaneceu estável no período.

Diferenças regionais no custo dos alimentos

No ranking nacional, São Paulo manteve a cesta básica mais cara do país, custando R$ 845,95 em dezembro de 2025. Na sequência aparecem Florianópolis (R$ 801,29), Rio de Janeiro (R$ 792,06) e Cuiabá (R$ 791,29).

Já nas capitais do Norte e Nordeste, onde a composição da cesta básica é diferente, os menores valores foram registrados em Aracaju (R$ 539,49), Maceió (R$ 589,69), Porto Velho (R$ 592,01) e Recife (R$ 596,10).

Embora o levantamento não detalhe o valor absoluto da cesta em Manaus, a queda mensal reforça a posição da capital amazonense entre as cidades com menor pressão inflacionária no fechamento do ano.

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Comparação anual e poder de compra

Na comparação entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, feita em 17 capitais com série histórica completa, o custo da cesta básica subiu em nove cidades e caiu em oito.

As maiores altas ocorreram em Salvador (4,04%), Belo Horizonte (2,40%) e Rio de Janeiro (1,57%), enquanto as principais quedas foram observadas em Brasília (-3,90%) e Natal (-3,27%).

Com base na cesta mais cara, em São Paulo, o Dieese estimou que o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas em dezembro de 2025 deveria ser de R$ 7.106,83, o equivalente a 4,68 vezes o salário mínimo vigente, fixado em R$ 1.518,00.

Apesar de elevado, o valor mostra relativa estabilidade em relação a novembro e a dezembro de 2024.

Em média, o trabalhador brasileiro precisou de 98 horas e 41 minutos para adquirir a cesta básica nas 27 capitais em dezembro de 2025, ligeiramente acima do registrado em novembro. Ainda assim, o comprometimento da renda líquida caiu de forma significativa na comparação anual, passando de 53,80% em dezembro de 2024 para 48,49% em dezembro de 2025.

Produtos que influenciaram o resultado

Entre os itens que pressionaram os preços no mês, a carne bovina de primeira teve alta em 25 capitais, impulsionada pela demanda interna e externa e pela oferta restrita. A batata também subiu na maior parte do Centro-Sul, afetada por chuvas e pelo fim da colheita.

Por outro lado, produtos importantes para o consumo diário ajudaram a conter o custo da cesta, como o arroz agulhinha, com queda em 23 capitais, o leite integral, que recuou em 22 cidades, além do açúcar, café em pó e óleo de soja, todos com reduções significativas.

No acumulado de 12 meses, o destaque positivo ficou para o arroz, que caiu em todas as capitais, e para o leite, com recuo generalizado. Já o café em pó, o pão francês e a carne bovina apresentaram alta em praticamente todo o país.

Para Manaus, o resultado de dezembro fecha o ano com um sinal de alívio no custo dos alimentos básicos, ainda que o cenário nacional siga marcado por fortes desigualdades regionais e pela pressão constante sobre o poder de compra das famílias brasileiras.

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Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil