Serrarias no Pará são alvos do Ibama em esquema de R$ 15 milhões
Fiscalização desarticula serrarias irregulares, apreende milhares de metros cúbicos de madeira e aplica multas milionárias por crimes ambientais no estado.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 08/01/2026 às 11:47 | Atualizado em: 08/01/2026 às 11:54
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) desarticulou um amplo esquema de processamento, armazenamento e transporte de madeira de origem ilegal no estado do Pará.
As ações de fiscalização ocorreram nos municípios de Altamira — no distrito de Castelo dos Sonhos — e Uruará, e resultaram na aplicação de multas que ultrapassam R$ 15 milhões, além do fechamento de empreendimentos irregulares, apreensão de grandes volumes de madeira e demolição de estruturas clandestinas.
A operação foi conduzida pelo Grupo de Combate ao Desmatamento da Amazônia (GCDA) e teve como foco serrarias que atuavam em desacordo com a legislação ambiental e descumpriam embargos administrativos. Segundo o Ibama, as medidas buscam interromper a cadeia de ilegalidades que alimenta o desmatamento na região.
Reincidência em Castelo dos Sonhos
Em agosto de 2025, uma serraria localizada no distrito de Castelo dos Sonhos, em Altamira, foi alvo de fiscalização por operar sem licença ambiental e utilizar madeira sem comprovação de origem legal. O responsável foi identificado e multado em R$ 2 milhões.
Na ocasião, cerca de 8 mil metros cúbicos de madeira foram apreendidos e destinados à doação a municípios da região, e as atividades do empreendimento foram embargadas.
No entanto, em nova vistoria realizada em dezembro de 2025, os agentes constataram a retomada das atividades ilegais, em total descumprimento do embargo. No pátio da serraria, foram encontrados 155 m³ de madeira em tora e 253 m³ de madeira serrada.
Diante da reincidência, o Ibama aplicou nova multa de R$ 122 mil e determinou a demolição das estruturas, medida prevista na legislação ambiental para impedir a continuidade do dano.
Há fortes indícios de que a madeira apreendida tenha sido extraída ilegalmente da Terra Indígena Baú e da área da Base Aérea da Serra do Cachimbo, ambas localizadas no Pará.
Fiscalização em Uruará
O Ibama também fiscalizou quatro serrarias no município de Uruará, onde foram identificadas evidências de processamento e armazenamento de madeira ilegal, inclusive com indícios de “esquentamento” de produtos florestais oriundos de terras indígenas e unidades de conservação, especialmente da Terra Indígena Cachoeira Seca.
Durante as vistorias, os fiscais constataram divergências entre os volumes de madeira declarados nos sistemas oficiais de controle ambiental e o saldo físico existente nos pátios das empresas.
Três serrarias operavam apenas com licença de operação e utilizavam madeira sem comprovação de origem legal, enquanto uma funcionava de forma totalmente irregular.
Ao todo, foram apreendidos aproximadamente 4,3 mil m³ de madeira em tora e 1,1 mil m³ de madeira serrada. As atividades das empresas foram suspensas nos sistemas oficiais de controle ambiental até a comprovação da regularidade. Parte da madeira foi destinada à doação e outra parte inutilizada.
As ações resultaram na autuação de três empresas por operar atividade potencialmente poluidora em desacordo com a licença ambiental, uma empresa por lançamento de resíduos madeireiros e pó de serra a céu aberto e outra por descumprimento de embargo. As multas aplicadas nessa etapa somam R$ 13,7 milhões, com base no Decreto Federal nº 6.514/2008.
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Ação conjunta na BR-230
Em operação conjunta com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o Ibama também abordou caminhões no km 852 da BR-230, a Rodovia Transamazônica, no município de Uruará. Os veículos transportavam 156 m³ de madeira serrada beneficiada sem a documentação ambiental obrigatória.
A carga foi apreendida e destinada à doação. Os caminhões também foram apreendidos e permaneceram sob responsabilidade dos condutores, na condição de fiéis depositários. A infração configura violação ao artigo 36 da Lei nº 12.651/2012, o Código Florestal, que exige licença ambiental válida para o transporte e armazenamento de produtos florestais de espécies nativas.
Combate à cadeia ilegal da madeira
De acordo com o Ibama, as fiscalizações ao longo de toda a cadeia produtiva da madeira têm como objetivo identificar e responsabilizar os envolvidos em atividades ilegais, coibir o processamento, o armazenamento, a comercialização e o transporte de produtos florestais sem origem legal e impedir a geração de créditos fraudulentos nos sistemas oficiais de controle ambiental.
A demolição de estruturas clandestinas, destaca o órgão, busca inviabilizar a reincidência dessas práticas e interromper a continuidade do dano ambiental em regiões historicamente pressionadas pelo desmatamento ilegal.
*Com informações do Ibama.
Foto: divulgação/Ibama
