Brasil fica atrás de Índia e Iraque no saneamento básico e expõe atraso histórico
Mesmo com economia maior, país mantém mais de 35% da população sem esgoto tratado; falha estrutural afeta saúde pública, meio ambiente e amplia desigualdades regionais
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 02/01/2026 às 09:47 | Atualizado em: 02/01/2026 às 09:47
O saneamento básico se consolidou como um dos indicadores mais evidentes do atraso estrutural brasileiro. Apesar de figurar entre as maiores economias do mundo, o Brasil apresenta cobertura de coleta e tratamento de esgoto inferior à de países com renda per capita significativamente menor, como Índia e Iraque.
Os dados oficiais revelam que o problema é persistente, histórico e com impactos diretos sobre a saúde, a produtividade econômica e a qualidade ambiental. Como informa o site CPG.
Segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 62,5% dos domicílios no país têm acesso à rede geral de esgoto. Isso significa que mais de 37% da população brasileira ainda vive sem coleta adequada, recorrendo a fossas rudimentares, sistemas precários ou ao despejo direto de dejetos em rios e no solo.
A situação é ainda mais crítica quando analisada sob critérios internacionais. Cerca de 24% dos lares utilizam soluções consideradas inadequadas, o que representa dezenas de milhões de pessoas expostas diariamente a riscos sanitários elevados, com consequências diretas para a saúde e o meio ambiente.
A comparação internacional evidencia o tamanho do desafio. Dados consolidados do Banco Mundial e da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a Índia ultrapassou 70% de acesso ao saneamento básico melhorado após duas décadas de investimentos intensivos em infraestrutura, sobretudo em áreas rurais.
No início dos anos 2000, o país asiático apresentava índices muito inferiores aos do Brasil, mas conseguiu reverter o cenário em cerca de 20 anos com políticas nacionais robustas e metas claras.
O Iraque, mesmo enfrentando conflitos armados e instabilidade política prolongada, também registra percentual de acesso ao saneamento superior ao brasileiro. O avanço foi impulsionado por projetos de reconstrução e investimentos concentrados em áreas urbanas, evidenciando que, mesmo em contextos adversos, a prioridade à infraestrutura básica pode produzir resultados concretos.
No Brasil, a falta de saneamento adequado vai além do desconforto urbano e se traduz em um grave problema de saúde pública. A ausência de coleta e tratamento de esgoto está diretamente associada à disseminação de doenças como diarreia, hepatite A, verminoses e leptospirose.
Estudos do setor indicam que cada real investido em saneamento gera economia múltipla no sistema de saúde, ao reduzir internações, afastamentos do trabalho e a mortalidade infantil.
As regiões com menor cobertura de esgoto coincidem, em grande parte, com as maiores taxas de doenças de veiculação hídrica, o que sobrecarrega o Sistema Único de Saúde (SUS) e perpetua ciclos de pobreza e exclusão social.
Além de insuficiente, o saneamento no Brasil é marcado por profunda desigualdade regional. Enquanto algumas capitais do Sudeste se aproximam de padrões comparáveis aos de países desenvolvidos, estados do Norte e do Nordeste registram cobertura inferior a 30% em diversos municípios.
Essa disparidade evidencia que o atraso nacional é, na prática, a soma de realidades muito distintas dentro de um mesmo território.
Especialistas apontam que países como a Índia avançaram justamente ao enfrentar desigualdades internas com políticas centralizadas, planejamento de longo prazo e metas nacionais agressivas.
No Brasil, a superação do déficit histórico em saneamento segue como um dos principais desafios para o desenvolvimento social, econômico e ambiental do país.
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Foto: Carolina Gonçalves/Agência Brasil
