Amazonas: Solimões desafia o calendário da cheia e recua em cidades do interior
Mesmo no período de inverno amazônico, trechos do rio apresentam queda no nível das águas no interior do estado.
Publicado em: 31/12/2025 às 10:48 | Atualizado em: 31/12/2025 às 10:50
Mesmo em plena fase de cheia, o Rio Solimões apresenta recuo no nível das águas em diferentes municípios do interior do Amazonas.
Os dados são da Praticagem dos Rios Ocidentais da Amazônia (Proa Manaus) e foram monitorados nesta terça-feira (30).
Tradicionalmente, o período de cheia ocorre entre dezembro e junho, durante o inverno amazônico, com pico entre maio e junho.
No entanto, após as secas históricas de 2023 e 2024, o comportamento dos rios segue fora do padrão esperado.
Enquanto o Rio Negro sobe normalmente em Manaus, o Solimões registra queda em vários trechos da calha principal.
No Alto Solimões, em Tabatinga, o nível caiu de 8,44 metros, em 21 de dezembro, para 7,40 metros nesta terça.
Já em Santo Antônio do Içá, o recuo foi mais acentuado, passando de 10,44 metros para 9,08 metros no mesmo período.
No Médio Solimões, em Coari, o rio baixou de 13,38 metros para 13,25 metros, confirmando a tendência de instabilidade.
Segundo técnicos, a resposta irregular está ligada à perda de recarga hídrica causada por eventos extremos consecutivos.
Além disso, a atuação do fenômeno La Niña altera os padrões de chuva e provoca comportamentos distintos entre as bacias.
Em contraste, em Manaus, o Rio Negro segue alinhado ao regime chuvoso, subindo de 21,66 metros para 21,98 metros.
O cenário reforça o impacto das mudanças climáticas sobre o regime dos rios amazônicos, mesmo em períodos considerados favoráveis.
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Foto: divulgação
