Urnas de 2026 colocam a democracia à prova pelo mundo
Eleições pelo mundo medem avanço da extrema direita e a influência global dos Estados Unidos.
Publicado em: 31/12/2025 às 08:37 | Atualizado em: 31/12/2025 às 09:02
As urnas de 2026 vão medir até onde as democracias conseguem resistir ao avanço da extrema direita. O ano reúne eleições capazes de redesenhar equilíbrios políticos em vários continentes.
Além disso, o cenário eleitoral ocorre sob tensão internacional crescente. Analistas alertam para o peso direto dos Estados Unidos, agora sob Donald Trump, no apoio explícito a forças ultraconservadoras, sobretudo na Europa.
Nesse contexto, os pleitos também funcionarão como termômetro da política externa americana. A influência de Washington deve atravessar campanhas, alianças e disputas institucionais ao longo do ano.
Em fevereiro, Bangladesh inaugura o calendário com sua primeira eleição competitiva em mais de uma década. O país tenta reconstruir a democracia após a queda de Sheikh Hasina, deposta em 2024 por protestos estudantis.
Muhammad Yunus, Nobel da Paz, lidera um governo interino. No entanto, não há consenso sobre regras eleitorais. Nacionalistas, partidos islâmicos e defensores de uma nova república disputam espaço.
Em abril, a Hungria vive uma encruzilhada. Viktor Orbán enfrenta o maior desafio desde que assumiu o poder. Pela primeira vez, o Fidesz aparece atrás da oposição.
Enquanto isso, Péter Magyar, ex-aliado de Orbán, surge como alternativa. Ele sinaliza reaproximação com União Europeia e OTAN, além de distanciamento do Kremlin.
Diante da ameaça, Orbán reagiu. Usou sua maioria parlamentar para redesenhar distritos eleitorais, movimento visto como tentativa de dificultar a vitória da oposição.
Em maio, a Colômbia se torna peça-chave na América Latina. Após vitórias da extrema direita em países vizinhos, o país pode redefinir o mapa político regional.
Gustavo Petro não concorre. Seu partido tenta manter espaço com o senador Iván Cepeda, enquanto enfrenta desgaste interno e ataques de Donald Trump.
A violência voltou ao centro do debate após o assassinato do senador Miguel Uribe Turbay. A oposição deve apostar em Sergio Fajardo e no ultraconservador Abelardo de la Espriella.
Em setembro, a Suécia vira laboratório europeu. A eleição geral vai mostrar se a extrema direita se consolidou como força estrutural no continente.
O governo atual, formado por centro e extrema direita, enfrenta alta da violência e discursos que associam imigração ao problema. Além disso, cresce o debate sobre gastos militares diante da Rússia.
Embora os sociais-democratas liderem pesquisas, os Democratas Suecos, de origem neonazista, seguem sob observação de toda a Europa.
Em outubro, o Brasil entra no centro das atenções. A eleição testará a capacidade do país de conter desinformação, articulação digital da extrema direita e influência estrangeira.
Para o bolsonarismo, o pleito mede sua sobrevivência após a condenação de Jair Bolsonaro. Já o governo Lula atua para neutralizar qualquer ingerência externa.
No mesmo mês, Israel decide o futuro de Benjamin Netanyahu. O premiê enfrenta acusações de corrupção e o desgaste da aliança mais radical da história do país.
Com protestos suspensos após o ataque do Hamas em 2023, a pressão popular deve retornar. O Parlamento decidirá se Netanyahu mantém poder.
Em novembro, os Estados Unidos fecham o ciclo eleitoral. As eleições legislativas podem impor limites ao projeto político de Trump ou reforçar sua força.
Se perder a maioria na Câmara, o presidente verá seus planos ameaçados. Ainda assim, Trump pressiona aliados para redesenhar mapas eleitorais e preservar controle do Congresso.
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Foto: José Cruz/Agência Brasil
